quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ser perfeito é o maior defeito




Você que tem medo do mar
se afoga sempre em terra firme
usa as palavras como ardil
e ao delas se afastar, um passo à frente, se contradiz
incompetente, não sabe agir
devia nutrir o amor – de preferência o próprio – ou impróprio
prezar a carne biodegradável
a cada instante mais distante da eternaidade
escondida atrás de panos chic, cabelo arranjado, peeling de cristal, unhas pintadas
e na cara, o riso amarelo, em dentes brancos
fantasia não maquia o que precisa
onde está a ombridade em honrar a vida que lhe foi permitida
perde tempo, conta estrelas, não topa montanha russa, fala com os mortos,
não beija o sapo por medo de virar rã
dá a volta ao mundo, rodeia o eixo, e aporta no mesmo porto
pensa que sabe que vê diferente, e conta sempre a mesma história
mansa, pobre, vítima, desgraçada, desventurada, deplorável, lastimável
pede esmolas, atenção, seguidores, bota placa
suplica sutilmente por companhia
rejeitada em eterno encalço de paixões
bestialmente concebidas em berços sofistas
aviso: nesse mundo só há viralatas
ser perfeito é o maior defeito
não existe príncipe pra você
apague o pânico desse teatro sem chamas
sua casta não será assestada
ei, chega perto: - Teu disfarce te revela.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dory


Não sei porque e como acontece, mas, do nada, sem previsão divina, da mãe Dinah, dos babalorixás, ou mesmo qualquer intuição ou expectativa humana, o caminho por onde andas some, o imprevisto invade a cena, o mato toma conta da trilha, não há rumo, não há leme, não há luz de fundo, sequer túnel, não há sonho, e nem mesmo qualquer droguinha suficientemente boa e capaz de te colocar em outra viagem.
Sei que um triste dia você abre seus lindos olhos e se vê ali deitado, sem motivo pra levantar o corpo e tomar a posição vertical. Sem rédeas pra domar, facas pra brigar, um corpo pra amar, nem metro e meio pra ocupar.
Você – lotado de certezas fatalísticas na cabeça - pensa de cara que o mundo conspira contra você, que o vento só lhe traz poeira e besouros, e a água que bebe nunca é insípida e inodora. Passa a imaginar todos os seus nobres irmãos despertando às 7 badaladas e oito sonecas depois, indo para os seus dignos trabalhos, dirigindo suas cadeiras de rodas 1.0, 1.4, 1.6, 2.0 (boa, Nagoa), instalados nas suas prisões refrigeradas de cores neutras, ganhando seus míseros trocados, ou absurdas somas, construindo e incrementando seus lifestyles de novela, porfiando romances "ideais" e - ou "rodriguianos", e você ali, inerte, o protótipo de uma ameba, sem previsões ou provisões.
E logo você, um ateu convicto, acaba pensando Nele: “Ai god, se você existe mesmo, por que esqueceu desse seu súdito filho, ser desgraçado, degradado, desgarrado, e que ainda insiste em ser bem feitor.”
Euzinha nessa circunstância - que belo dia de mais um dia de férias espontâneas e ócio abençoado, mochila leve, nenhum cartão pra bater, ninguém pra fazer sala. Aproveito o sol. Queimar a pele do meu torneado corpinho, e já que aqui não há mar (eu prefiro o sal), me banhar em alguma cachoeira próxima. Eu sei, minha alta auto estima é quase única e sempre me levou a ter a certeza que amanhã nada me faltará. O hoje me basta, e hoje eu to abastada (graças a eu mesma).
Bom, e o barquinho ta lá, lindo e faceiro, meigo, humilde e modesto na sua insignificância frente a imensidão das águas.
E você!? Você tá fora honey! Sua canoa furou, os lemes afundaram e você, na sua estupidez galopante, continua remando contra a maré e engolindo água salobra.
Não adianta chorar ou blasfemar. Você nesse barco vai afundar. E pior, te falta visão suficiente pra sacar que ta na hora de nadar.
Se o que corre nessas veias é sangue, e não água com açúcar, e mesmo não sendo um puro sangue - se ele ainda é quente, o pulso ainda pulsa, e se esses olhos conseguem ver algo além desse nariz empinado, esse umbigo mal curado e essa cara de quem goza mal pra caralho...fecha logo essa boca maldita e pára de se alimentar de moscas, cessa as reclamações e as mentiras inventadas que não sabe sustentar, abandona de vez as desculpas inconsumíveis, e não peça piedade a quem você nem acredita existir.
Tá sem rumo, sem destino, sem motivo, sem cor, sem tom, sem tesão, sem tostão, seu paladar já não tem função, e não consegue sentir nada a não ser o gosto azedo dessa sua amargura intrínseca:

“Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar...”.

Ah! Nada melhor que as mensagens subliminares das películas infantis pra animar.
Melhor que qualquer livrim fastidioso chopriano, oshiano, coelhano, e doutros bilongos da estirpe dos xatólogos.

E a você Loro, obrigada pelas setenta vezes que compartilhou comigo sua doce e vibrante companhia, no afã de me apresentar e ficarmos a admirar a Dory.
Ai loviu pra xuxu!

domingo, 14 de novembro de 2010

Bom dia resignados!

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante.
...

Escola, esmola, favela, cadeia, sem terra, enterra, sem renda, se renda.
Não, não.
...

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Até quando você vai levar porrada?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

tô fora


queria eu dizer tudo que me vem à língua, o que me atiça os instintos libertinos e faz esmorecer até os que se dizem trash, punks, anarquistas. queria eu explanar sobre as vicissitudes da vida, os mistérios do amor, as paixões fast food, o dilema dos bons, a bondade dos maus, a virtude dos aceitos e politicamente corretos, mas não posso, não me vem, não sou nada, incapaz de tornar inteligível qualquer coisa que faça referência a emoção, sentimento e desejo de alguém, eu não sei porra nenhuma dessa vida, só sei do que não gosto, nem do que gosto eu sei de verdade, a vida nos trai toda hora, e nos faz percorrer por trilhos estrategicamente dispostos, que vão nos levar a um caminho previsível, óbvio, e muitas vezes sem volta. penso em gentes felizes com suas famílias felizes e cristãs, bem estruturadas, numa casa projetada, sorrisos colgate nas suas bocas com dentes perfeitos e brancos. penso em mulheres elegantes, bem sucedidas em seus ricos empregos com seus vestidos sexy e tailleurs impecáveis, sapatos lolla, cremes mary kay, personal no fim do dia e uma serviçal que lhe trata como filha. penso nas crianças cor de romã e seus brinquedos modernos, tomando sol com suas babás de vestes brancas, a esperar mamãe e papai. penso nos jovens adolescentes, aprendizes de uma vida tranquila e já traçada desde que nasceram, aulas de inglês, espanhol, mandarin, ballet e karatê, com suas mochilas high tech, seus tênis style, ipad, e internet banda larga. penso nos homens, pais e amantes perfeitos, workaholics, caçando o dia inteiro pra oferecer o melhor das abundâncias para a prole, e assim, serem eleitos pela família, amigos e vizinhos, o melhor provedor-comandante.
esse quadro não me enquadra. eu não caibo nessa tela. eu, ser anormal? qual seu foco-objetivo de vida, filha? tudo parece tão perfeito, limpo e rico! invadem-me os paradoxos! se isso for o melhor dos futuros a ser conquistado, para a acomodação derradeira da nação patriarcal instituída, deixarei a desejar. não cumprirei o desafio. essa tinta ainda não me retrata. não me apetece. a vida é breve, penso eu, e não há que ser levada tão a sério. afinal, dessa aventura alucinante ninguém sairá vivo. penso em me arriscar. arriscar a vida em ser livre. nos meus planos não habita esse comercial de margarina. nem ficar preso a ele até o dia do meu juízo,(a)final, eu escolhi ser livre.
tô fora. vou me jogar na vida. e seja o que der, doer e vier.
bye!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

I have a dream



Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa clara manhã, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: "Eu procuro Deus! Eu Procuro Deus!" Como muitos dos que não acreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muitas risadas... "Onde está Deus", ele gritava.
"Eu devo dizer-lhe. Nós o matamos - vocês e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos..."
Friedrich Nietzche, Gaia Ciência (1882).

Eu não sei ainda o porquê, mas meu híbrido ser insiste em ficar mascando pensamentos paradoxais, e mais uma vez, sempre vem à tona o que todos adoram proclamar, a esperança. Esperança, que trago com carinho no meu velho baú de quimeras e inspirações perdidas.
Há alguns itens na essência humana que fazem o mundo pior. No meu míope ponto de vista, me parecem mais reles produtos, ou talvez, sequelas da inteligência meia-boca e nada afrodisíaca dos nobres humanos.
Ilusão, somada à esperança, é nitroglicerina pura.
Nós, frágeis seres carentes, necessitamos mesmo dela?!
Humanos dopados e viciados em ilusão até às tampas. Dá pra perdoar?! E quem suporta tanta realidade!?
Ilusão - da vida pós-morte e um paraíso a te esperar todo arrumadinho e administrado por deus; de que quando vestir o paletó de madeira será perdoado pelos seus erros e maldades cometidos (essa é a melhor); de que um dia a mega-sena sorteará a sua combinação de números; a de que aquele ignóbil amor vingará; que seu carro 1.0 alcança o jaguar; que a gostosa do lado vai te dar mole e algo mais, em troca de nada; que seu patrão reconhecerá seu grande valor; que suas idéias renderão milhões; que mansões se erguerão à sua volta e helicópteros te levarão até Maresias; ilusão de que um dia ficará imerso no ócio profundo e nada te faltará (essa eu tenho).
Bom, diversas idéias e pensamentos em vão, que já renderam inúmeras epopéias homéricas, e outras vagabundas - como esta que você agora perde seu tempo lendo.
Até consigo engolir a esperança, a seco, sozinha, 'no the rock', livre da ilusão.
Muitos acreditaram(?) que o Partido dos Trabalhadores teria como principal objetivo resgatar a ética e a moralidade "como nunca antes na história desse país". E me diz ae, o que você viu? Um monte de putozinhos praticando atos absurdos, fantásticos, com uma promiscuidade nojenta e autofágica entre os três poderes da nobre república das bananas. Escárnio impudente, público e notório, cuspido e escarrado na sua carinha de bom cidadão iludido, como nunca antes na história deste país. Hoje meu partido é um coração partido.
Os donos do mundo, e o resto, tinham a esperança – “I have a dream” - M.L.King, de ver um negro na Casa Branca. Ele chegou lá! Taí: esperança + ilusão!
Quer tomar outra dose de esperança imbuída de ilusão? Haverá paz no Oriente Médio. Quem quiser acreditar em balelas remotíssimas ou em utopia das grandes, fique à vontade! Primeiro passo, reparar o mapa do Oriente Médio e todas as fronteiras anteriores ao domínio franco-britânico, ou seja, o mapa do Império Otomano. Depois sim, fazer com que judeus e palestinos esqueçam de uma vez essa asneira de cada um ter um país próprio, e enfim comemorem o final feliz jogando uma partida de futebol na próxima Copa, com os patriotas no estádio pagando boquete na vuvuzela. Tão fácil como os sulistas esqueceram (?) o sonho da República dos Pampas.
Se a próxima ilusão for a realização do Anarquismo Histórico e Romântico, só posso dizer que é tudo o que euzinha também tenho como esperança, mesmo que não seja pra mim, mas pelo menos para meus tatatatatataranetos (se é que a grande bola azul persistirá até lá). Eu tenho dúvidas, mas, se houverem amanhãs, existe uma possibilidade. E eu estarei lá, como dizia Raul (o último Anarquista): “porque eu continuarei neste homem, nos meus filhos…”
Porém, contudo, para que tal ocorra, precisaremos “enforcar o último governante nas tripas do último bispo”.
Posso listar alguns empecilhos que esbarram na esperança. Produção de armas. De drogas. Paraísos fiscais. Paraísos artificiais. Nacionalismos exacerbados. Tráfico de crianças. Abuso de crianças. Tráfico ilegal de órgãos. Tráfico de influências. Cobiças. Invejas. Documentos confidenciais. Educação no laica. Espionagem. Compra de votos. Ciúmes. Despeitos. Vaidades. Raças. Etnias. Preconceitos. Tradicionalismos doentios. Clonagem. Proibição do uso da camisinha. Curas. Laboratórios. Protecionismos. Copa do Mundo. Olimpíadas. Fashionweek. Nepotismos. Tráfico de mulheres. Exploração de mulheres. Trabalho escravo. Escravidão. Favelas. Excisão do clitóris. Coisas do passado que foram esquecidas. Coisas que nunca esqueceremos. A Velha Europa. As Américas. Astecas. Incas. Maias. Assurinis. Tapirajés. Kaiapós. Bororós. Guaranis. Xingu. Amazônia. Petróleo sobre as águas. Guerras civis. Guerras frias. Guerras religiosas. Guerras por petróleo. As guerras por tudo e por nada. Traições. Enganos. Explorações. Ofensas de bradar aos céus. Fomes disto e daquilo. Miséria. Carências de coisas fundamentais. Consumismo desenfreado. Crianças que querem demais. Crianças que não têm nada. Modas soberanas. Intolerâncias. Absolutismos. Nazismo. Judeus. Judiados. Medos. Ameaças. Chantagens. Faz de conta. Fronteiras. Mentiras descaradas. Hipocrisia. Descrença. Gente que perdeu a vergonha. Invasões. MST. Partidos partidos. De quem são os genes que moram em mim. E deus que não resolve aparecer, ou então enviar o filho ou o gerente. E o que isso importa, não é mesmo?
Será que alguém, dotado de alguma sapiência, racionalidade e lucidez, consegue armazenar ilusões de que o mundo seria, ou será, maravilhoso depois da queda do muro, da paz no Oriente, do negro, do analfabeto e sua sucessora - mulher no poder?
Em um tempo não tão remoto acreditava-se que o Comunismo deixaria o mundo mais justo e igualitário. Enfim! Na seqüência surgiram ditadores comunistas iguais ou muito piores do que os outros.
Lenon, Luther King, sinto informar, mas, o sonho acabou! Só ficaram as rosquinhas de cocô!
“Nossa! Que horror! Você é antipática e nada otimista!”
Ah, por favor, pense, se puder! Você está na vida, mas não está preparado pra ela.
Tente ver pelo lado positivo. A esperança quando acaba é com mansidão, suavidade, nostalgia. Ilusão não, quando acaba provoca trauma na carne sensível. Mas não precisa arrancar os cabelos ou pular no Berabinha. Separe osso de caroço, liberte-se, deixe de vez de ser refém de suas ilusões e crenças bestiais. Esperança pode e deve ser praticada sozinha, sem ser suplantada pela ilusão. Porque essa é definitiva, e tem efeito psicotrópico.
Se os boçais viventes no planeta plástico pudessem dar alguma relevância à lucidez, clareza, perspicácia e racionalidade, poderiam sair da Caverna de Platão. Poderiam! Mas não podem! E sabe por quê? Porque a ilusão não deixa!

domingo, 29 de agosto de 2010

Não foram minhas as suas culpas.




Sei, sei, sei. Não era pra ser assim, baby, mas já foi. Fazer o quê, né? Palavra dita e ato consumado, não tem círculo que consiga fazer a volta pra fazer ser diferente. É como cinzas jogadas ao vento - impossível recolhe-lás. Ahhh...não vá chorar! Quando tudo acabar, estaremos bem, exalando nosso odor despudorado e livre por ae, escancarando os dentes num sorriso sincero, encantando e seduzindo até objetos inanimados. Não peça desculpas. Não cultue remorsos. Não se arrependa. Tem gente que diz que pra tudo - um fim - um destino - um novo começo. Mesmo não sendo adepta destas teorias bestiais paternalistas (Osho e todo seu rebanho), posso tentar engolir essa merda altruísta dos que acham que promovem auto-ajuda.
Infelizes! Não foram minhas as suas culpas! Se esbarraram sem querer querendo, e conversaram horas pra tentar desentender. Cada qual encenou seu papel preferido. A dama gentil e delicada, com suas vestes de pudica pueril na primavera, prolatou palavrinhas quase bem escolhidas para explicar o quanto ela é inocente e solitária, e como acabou caindo ali de para quedas, o qual, não abriu, e ela acabou espatifando suas carnes asseadas no chão eivado de mijo e cerveja (será que quando tira a roupa, deixa a personagem e vira atriz?). Tentativa torpe de convencer a interlocutora (ela não sabia com quem estava falando - não tinha a menor condição de visualizar a dimensão de quem era), de uma tolice tão crassa que a fez querer vomitar no seu sapatinho de cristal. E ele, o macho viril, pragmático, diplomata, pronto a determinar as diretrizes da sua nova rota emocional, afinal, sua teoria de cabeceira é: - Não tá feliz, não tá sorrindo, troca - pega a próxima que está na fila e põe no lugar.
Furacões já arrebataram meu alter ego, fui objeto de estripulia da vaidade alheia, já levei porrada, facada, apanhei na cara, e até conseguiram me derrubar com voadora. Não morri. Não fiquei paraplégica. Quase manquei. Mas minha verve vai além. Sou uma puta de uma egoísta saída de um bordel gótico onde as verdades são ditas por inteiro - questão de sobrevivência, onde um jab de realidade acerta seu narizinho de princesinha direitinha e limpinha, e te derruba da torre do castelo trazendo-a à tona ao mundo que é tocável. Aqui não existe tempo pra papinhos, aventurazinhas e assédios virtuais. Aqui no meu mundo, minha filha, o real suplanta o lúdico, senão você padece degustando nuvens e vendo a banda de punks nus passar e cuspir na sua cara. Aqui os sentimentos são vividos e colocados na atmosfesra, não há lugarzinho quente com cheiro adocicado pra você lamentar rejeições e amores que não sabe viver, isso é pura incompetência, te faz falir. Aqui, chérrie, as oportunidades são disputadas a tapa, e, se você não aproveita, vai ter que vender a janta pra ir ao baile. Sou uma vadia destemida, exagerada e verdadeira, gloriosa por carregar na bagagem um histórico de mulher muito bem amada, idolatrada, salve, salve! O papel de coitadinha amargurada não é pra mim, não sou chegada a colo, nem mágoas. Me viro bem com o que tenho, e minha mala tá carregada de sábias (nem sempre) decisões e opiniões formadas sobre (quase) tudo.
Jurumelas de antanhos. Porcos vis com espinhos tortos. Maledicentes que não sabem amar. Podres imbecis ostentando vida digna em seus dialogozinhos regados à teoria-terapia de quem pensa saber relatar sentimentos que não sabe executar. Carrego enorme pena de gente que veio ao mundo e perdeu a viagem (o Cazuza também). Ignóbeis seres lúdicos, serão sempre escravos de seus sonhos de perfeição, ignorâncias diplomadas e orgulhinhos infantis. Deixo minhas condolências, gente careta e covarde. Talvez, quem sabe, um dia, aprenda, na porrada ou na peixeira, algo que lhe ajude a viver e ver o que é vida de verdade.
Beijo. Desliga.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

vice versa

às vezes me parece que...às vezes tudo desaparece, um dia eu estou, outro não sou, quando me vê se confunde, talvez não seja-me, ou disfarce-me ficou, eu busco não sei o quê, mas quero assim mesmo sem sabê-lo o quê, tudo me interessa e de tudo quero saber, não, conhecer só basta, sem profundidade, intensidade ou penetração, quem disse que a superfìcie não atrai(?)...te faz ficar e até sentir... ninguém quer sentir muito, muito menos saber demais, satisfação é básico momentâneo, importe-se com você mais, deixe os outros para quando eles te precisarem, mania de querer achar o que acha que o outro é, ou o que acha que o outro sente, você se acha (graça), cale-se e meta-se com você, ache-se se puder, e pense menos pra pode sentir um pouco mais, ou vice-versa...não faça as malas antes do adeus, não escove os dentes antes da refeição, não tome água depois do café, não gaste o que não tem, não coma o que não precisa, nunca aprende, sempre se arrepende, rugas aparecem, tolerância enrijece e as carnes amolecem, o pudor se esvaece, a verdade lhe apetece e o humor padece, não pense em final feliz, nem num triste fim, tudo sempre continua, tudo sempre um processo, pra viver não precisa carregar arquivos, armazene as lembranças, as boas - nem sempre, as ruins também te perseguem e quem sabe enriquecem...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

causas perdidas


é preciso sobreviver à hora da verdade
um dia você se afoga no mar da ilusão
e o mar é maior - não cabe na imaginação
ninguém - nunca - vai abraçá-lo
só depois de esfregar os olhos
tudo fica claro - como areia em dia de sol
a luz te ofusca a princípio
depois enxerga - e usa - a chave da prisão
a brincadeira de ser sério acabou
é hora de brincar de ser livre - no xadrez
se pudesse prever que era inevitável, juro, teria me retirado antes
eu sei, extrapolei o horário, gastei todas as fichas - já vou tarde
se soubesse tudo antes, erraria de novo, de novo, igual
não quero o que nunca me pertenceu
eu desisto de quem desiste
deveria ser simples
ser simples às vezes é complicado
é preciso coragem pra errar - covardes acertam sempre
é preciso dignidade pra saber a hora certa de sair
prazer, meu nome é Cândida - amiga de Cândido - que é amigo de Voltaire
a puro sangue que sobrevive porque também vira latas
conhecida também por dedicar amor às causas perdidas
e pra quem tem coragem, ao seu dispor
pra brincar de ser feliz - enquanto ainda pode imaginar o mar

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não fui eu


Não fui eu
que sujei seu terno azul;
que usei seu sapatinho de cristal - que se partiu no primeiro passo;
que reguei seus lírios com ácido sulfúrico;
que passeei sobre seu jardim com tanque de guerra;
que rasguei seu testamento - de objetos imprestáveis, valores ínfimos e dívidas impagáveis;
que cuspi no seu prato morno;
que fiz sua barba com a moto serra;
que tatuei esse sorriso na sua cara mal lavada;
que vendei seus olhos no momento do pôr do sol;
que matei o filho do seu Pai;
que coloquei lisérgico no vinho dos seus discípulos;
que salguei sua ceia (santa);
que emprestei o isqueiro pros seus algozes incendiários;
que publiquei seus segredos no jornal da manhã;
que saqueei sua caixa preta;
que guardei seu coração no fundo do baú;
que ceifei sua personalité;
que mordi sua perna na fila de espera;
que trouxe a fome pro seu regime;
que lhe aluguei essa casa sem telhado;
que lhe trouxe doce roubado de criança;
que lhe devolvi o troco errado;
que lhe mandei correr com tesouras;
que gargalhei no dia que você chorou;
que roubei sua solidão;
que enfeitei sua tristeza;
que calei na hora da sua defesa.
Não fui eu que sonhei com o paraíso habitado por seres de elevada moral e lubricidade.
Não fui eu. Não fui. Não eu.
Eu sinto (muito) pouco.
Tudo está como era pra ser e assim não o seria se não fosse por você.
Bem feito está. A culpa pertence a quem a carrega. Eu me sinto leve.
Sua consciência deve estar lá naquele brexó que você adora frequentar. Foi objeto de troca. Resgate-a por preço vil. Aproveite as ofertas e adquira outras bobagens de antanhos e bibelôs inanimados que já serviram de cenário para as suas cenas, e em nada alteram a demanda do mercado contemporâneo.
Colecione suas desculpas prontas e aguarde a ocasião certa para tirá-las do saco.
Siga corretamente o modo de usar e utilize-as com moderação.
Desculpas consumadas quando consumidas.
Sofista de merda.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SERÁ QUE DEUS CRÊ EM MIM?


Tenho fé porque preciso tanto dela quanto do metal (o vil) para (sobre)viver.
A fé está sempre me colocando em xeque, e eu, compelida a fazer dela o objeto dos meus devaneios. A fé anda sempre misturada e confundida com a esperança, e ao contrário do que prolatam por aí, a esperança é a primeira que deve morrer.
Tento...tento...tento...praticar a caridade. Doar-me um pouco aos outros, e doar algumas pataca$ também. Mas não me engano, doar o que sobra - o resto - não é mérito algum. Estou longe (muito mesmo) de ser algo parecido com a matrona Teresa, ou mesmo ter livre acesso (sem pagar pedágio) ao "reino dos céus".
Dos Sacramentos: fui batizada por uma sociedade hipócrita, mas não me deixei crismar. Meu filho é dito "pagão". Eu, sinceramente, só posso rir de tudo isso. Já quase contraí matrimônio. Não, não é doença. Não criei anticorpos. Mas sarei assim mesmo. Podem descartar a vacina, é dispensável.
Minha trindade são três seres em apenas um: razão, emoção, e, cartão de débito (é, só gasto o que tenho hoje).
Parte de mim é amor, outra (enorme por sinal), desejos, tudo com uma leve pitada de crueldade e lirismo.
Já fui (uma) fiel, hoje me questiono. Comunguei erradamente opiniões, gostos e decisões. Revi, arredei, desconstruí, metamorfoseei, passei de lagarta a borboleta (inúmeras vezes e não necessariamente nesta ordem).
Confessei coisas inconfessáveis (sob o efeito de lisérgicos e/ou influenciada pela veia hormonal), claro, precisava de cúmplices para a tarefa da libertação.
Às vezes me arrependo, de não ter tido colhões suficientes pra fazer o que estava a fim. O que fiz já está feito. Certo ou errado...
Por vezes perdoei - 7x70, por menos vezes recebi perdão.
Aos que me magoaram profundamente, dei extrema-unção - para facilitar suas entradas num outro mundo, bem distante, que não o meu.
Canonizei (que ingenuidade) pessoas, acreditei em falsos profetas, em suas parábolas e em pseudo-milagres, e quando as promessas não se cumpriram, tornei-me nelas descrente. Mas persisto na maldita e inabalável fé.
Conheci e convivi com algumas almas condenadas. Não fiz muito por elas senão dar-lhes uma lamparina (Venha para a luz...Karolaine). E, dos cegos por opção, me afastei.
Vez em quando vou ao céu, passo várias vezes pelo purgatório e já tive a sensação de estar no inferno, entretanto, não perdi o juízo, afinal. Deus, não sei falar sobre, tal nome, em um mundo tão concreto, me remete ao indefinível, intangível. Contudo, preciso crer que algo melhor que a espécie humana deva existir, afinal de contas - de novo a idosa dúvida - pra que tudo e todos aqui? Essa bomba relógio, Terra, ínfimo planetinha navegando no meio de uma galáxia gigantesca, habitado por seres viventes, dotados de razão bruta e sentimentos diversos e dúbios, amaldiçoados pela eterna busca de perguntas sem respostas.
Deus(?)... Aproveito agora ao citar seu nome, para desculpar-me pelas inúmeras vezes em que o tomei em vão. Foi mal, mas tem horas que só uma intervenção divina mesmo pra dar jeito. Vivo pedindo a ele proteção. Já deve estar usando o estoque reserva. Perdoa-me Pai pelos meus atos funestos e pelos males que não faço, mas penso ou desejo. Eu sei que o perdão divino é para os que não sabem o que fazem, é que às vezes nem eu mesma sei o que faço ou falo.
Procuro guardar-me para os domingos e festas. Os profanos de preferência, regados a vinho, acompanhados de amigos, boa música, e outras bilongas mais. "A vida necessita de pausas".
Sempre honrei e honrarei meus pais, embora seja o antônimo deles.
Já matei, sono, fome, vontade, tesão, saudade, tempo...e a arrogância do meu próximo ao desarticular suas verdades perfeitas e absolutas.
E pequei. Meu Senhor e Minha (Nossa) Senhora...inúmeras vezes. Fui contra a castidade. Tolerância e pudores nunca foram o meu forte. Hodiernamente tenho exercitado a tolerância, tentando sepultar aos poucos meu lado critico em prol da emergente espiritualidade. Mas não confundam tolerância com degustação de sapos.
Também furtei. A mim, certos prazeres, aos outros, o prazer em me ver fracassar.
E roubei ainda mais: flores, corações, olhares, atenção, poesias, canções, frases... Mas tudo por uma boa causa!
Por necessidade (causa própria ou não), já menti, levantei falso testemunho e/ou fui cúmplice. E quando foi, ou ainda é preciso, neguei e nego muitas vezes. Contudo, depois de fazer um balanço geral na vida, opto pela verdade, mesmo que inconveniente. Todos não proclamam por ela!? Então agüenta!
Já fui traída por um beijo, já me negaram várias vezes e também tentaram me crucificar. Como não me deixo ser pega como Cristo, dou sempre meu jeitinho de renascer antes do 3º dia.
Nunca desejei a mulher do próximo (até porque não é minha praia). Mas cobiço coisas alheias: inteligência, talentos, sabedoria, conhecimento, cultura, experiências...Porque apesar das minhas, eu quero ainda mais. Por isso, estou sempre junto aos bons, aos bons livros, e muitas vezes, às más companhias (são riquíssimas em experiências).
A gula...confesso - adoro boa comida.
A vaidade...confesso - adoro me sentir linda (?!).
A luxúria... confesso – ai, ai, faz um bem à pele...e o tônus muscular!
Avareza! É (esse meu sangue árabe!). Uma em especial, minha essência. Essa é só minha. Também...quem vai querer(?). E ainda tem a tal da caixa preta (as misérias e as virtudes nun saco só) que todo mundo carrega consigo, incólume, até o dia do ultimo suspiro.
Meu maior e melhor pecado: preguiça. Adoro! Principalmente numa terça-feira à tarde, enquanto todos trabalham, eu, em ótima e lúbrica companhia.
São Jorge é o máximo. Imaginem...o cara (de origem turca) “vive na lua” (segundo a cultura brasileira e africana: Ogum ou Oxossi) montado em seu cavalo, a matar dragões de hálito venenoso (histórias medievais).
Não acredito em santos. No máximo em pessoas iluminadas e que fazem um bem danado ao nosso mundinho quando por aqui passam.
Acredito em anjos, ou espíritos, pode dar o nome que quiser. Principalmente os que me cercam, protegem, e os que insistem em me obsediar. Tão ocupados!
Acredito em bruxas. Elas existem sim. Conheço um bom número delas.
Acredito em mim e nos meus ideais, meus paradoxos e idiossincrasias, na (in)viabilidade do ser humano, em justiça (...), paz (urgente), amor ao próximo e na tão falada, buscada, comentada, questionada, indefinível fé.
Acima de tudo, acredito que exista algo melhor que eu mesma e meus “irmãos”. Logo, nada me faltará (mas vou à caça da presa todo dia pra levar pra cria comer no jantar...).
Não sou católica, apostólica, tampouco romana. Não me comovem os “bons sentimentos” sazonais do Natal e não acredito no papai Noel (desculpa Loro).
Eu apenas creio. "Minha fé é meu jogo de cintura". Sou eu uma adorável pecadora. Uma transgressora sem culpas. Uma ovelha que não pertence a nenhum rebanho. Que faz promessas, juras, rogas e rezas. Que às vezes pragueja, mas bem menos que abençoa. Que tem seu próprio templo e busca a maldita felicidade. Não é isso que importa afinal?!
Será que Deus crê em mim?
Felicidades e facilidades, hoje, agora e sempre, e não só no ano que vem. Assim seja!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

no problems


Já não sei a quantas ou quanto ando, não sei se vai ou racha, se vou ou se fico, se desço ou dou, se me retiro ou insisto, se chuto ou afago, se torço ou padeço, nada me mostra o tudo como eu tanto quis ver antes. Performances mal acabadas, sujeitos sem verbo, conjugações sem nenhuma conjunção. Tudo ofuscado, quero correr, vou pra lá, venho pra cá, esse caminho me descaminha, eternas voltas, sem destino, um círculo, queria sim, meio e fim, talvez o início, sem vícios, segredos onipresentes, malícias escancaradas, mentiras sinceras ou falsetes ensaiados.
Eu já não sei quem sou, ou sei muito até demais, mas não posso dizer. Nunca consegui ser eu de verdade, entre o pensar, agir e ser, há distâncias nunca percorridas, tudo que é vai além do que se vê, aquém do que se imagina, o momento em que diz - age - é, é diferente do que se pensou ser e sentir. O que sinto não se faz, não acontece, e acaba se transformando no que digo. É confuso demais! Não importa. Não entenda. A indigesta coerência e a consciência estão perdidas, contudo, me resta a alucinação serena.
As vidas se repetem, todos se repetem, um espetáculo de gentes atuando a mesma peça, um jogral desafinado, onde dizem o que pensam sentir e não exprimem nada do que são.
Ae...lá vem ela...a imagem daquele ser sombreado, face escondida, capuz preto e foice na mão. Acena pra mim, cutuca meu ombro esquerdo, me quer já, eu reluto um pouco, depois penso em me entregar, haverá paz...abaixo dos temidos sete palmos, pelo menos...silêncio, isolamento...no problems... Sim, tudo morre e deve morrer, é preciso que haja vazios...disse alguém. Estejam resignados diante do fim! Compreendo que tudo acaba... A tristeza é um cansaço grande, pesado tonel, dói bastante, mas depois, melhora. Dá um medo, mas a gente fica, esperando, como na ante-sala do médico, tem que ficar lá, quieto, pra ser o próximo. Pause! Depois a vida continua seu rumo, com todas as intempéries, como no mar, ondas de prazer e dor, vêm e vão. Não me engano, o auge de algo muito díficil sempre chega, experimente o momento dolorido e sinta-o até o fim. Agradeça por ele também.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

bons livros e más companhias

Enquanto todos no universo estão olhando e admirando o ícone do momento - semi-deuses provisórios - lamberem os beiços ao receberem estatueta de bronze falso (geralmente de péssimo gosto - que certamente vai ocupar lugar atrás dos livros da estante), eu estou olhando pro lado "errado", pra margem, só pra variar. Estatueta - homenagem - o prêmio, declarado de suma importância pelo seu próprio criador, e que, a priori, intenta revelar a nós, pobres mortais, o quão magnânimo e hieraquircamente superior é o premiado indivíduo por ter perseguido o conseguido objeto, e claro, alçado vôo tão refulgente.
Sinceramente - vaidades à parte, considerando os métodos para (sobre)vivência neste atol pós-moderno da sociedade contemporânea neo-liberal mercadológica globista (plin-plin)...o ostracismo me parece mais gratificante...e me leva a suprir inexplicável e relevante atração pelos excluídos, os exceptuados, os marginais...em detrimento dos bem-sucedidos, premiáveis, publicáveis, de "qualidades notórias".
É que esse lance de aceitação - reconhecimento - admiração - idolatria - popularidade - gosto (nada) espontâneo da massa, do júri, votantes, nunca me convenceu, sempre soou mal aos meus encerados ouvidos, não adentra o meu lobo frontal. E a idosa dúvida sempre vinha permear meu desajustado ser: será o cujo dito merecedor? apareceu, mas cresceu? possível, mas improvável(?). E minha CPU logo iniciava a busca do conceito de conspiração e suas teorias fantásticas e detonava as ogivas das divagações infrutuosas entre eu e eu mesma...
Contudo, investigar as reais aptidões ou adjetivos dos concorrentes a prêmio, cargo, bibelô, destaque no palco, ou, querer diagnosticar a postura dos togados, eleitores, quase-deuses - seres de notório saber e índole indelével - mais que capazes de julgar e decidir pelos seus eleitos, os melhores, os vencedores, os "bons", não me importa, não me atiça, e não altera o meu investimento no mercado de ações. Mesmo porque (ainda) não tenho o privilégio de perder meu escasso tempim com assuntos escusados, e nem posso abrir mão do meu tão estimado e cultivado ócio específico - fundamental para minha sobrevivência. (Será que nossa estadia no detonado planetinha Terra dura tempo suficiente pra eternizar os atuais, as mentes brilhantes contemporâneas?).
Aliás, não seria eu competente para tal missão tão substancial. Eu, híbrida, o paradoxo de mim mesma...sem destaque no palco, sem estatuetas na estante, sem fãs, sem laias, sem inúmeros seguidores no blog ou twitter...confesso que, da infância à perversão, sempre perambulei pelo mercado dos rejeitados, da exceção...a alcunha de highlander adquiri com louvor...meus pais que o digam...tadinhos...preocupavam-se com minha excêntrica vidinha (anti) social..."essa menina não tem um milhão de amigos, essa menina não quer ir aos débuts das coleguinhas, não quer participar dos concursos literários e de matemática, não vai ao clube aos sábados à tarde, brigou com a freira do catecismo...o que a gente faz com ela?..."
Hoje lhes e vos digo...dê a ela(e) "bons" livros e deixe que conviva em "más" companhias...

* aos desavisados e pais preocupados: existem metáforas no texto

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

você nunca viu nada igual


tristezas despidas de lágrimas banhadas em soro antiofídico
grilhões de uma malfadada vida de alegrias convencionais disfarçadas
canelas que ardem e escorrem sangue de catchup
mentiras tatuadas no corpo com tinta guache escolar
rasga logo esse disfarce que te revela
libertas será tarde...
antes nunca que esperar
consuma suas misérias e seja feliz por r$ 1,99
ceifa as feridas com faquinhas de plástico dos aniversários infantis
compre sua viagem de alforria para o calabouço do infinito
e leve de brinde sua liberdade solitária
tire o arrebol desses olhos e fecha essa porta pra sempre
nunca se cale sobre os cadáveres que velas e te vela
continue desferindo seus defeitos a todos ouvidos fúnebres e atentos
os pecados...é o que temos de melhor
nossas únicas verdades absolutas
você nunca viu nada igual
nem eu de calcinha larga cor amarelo manga
nem a elegância de uma vida trajada em puro linho branco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Volta!

Estou só, nada nem ninguém pode enxergar os olhos meus, me sinto infeliz, acho que é medo, pavor, solidão. Essa casa fica triste sem você, não ouço mais seu andado apressado pelo corredor...e me cansei de esperar pela sua chegada triunfal enchendo o ambiente com presença tão marcante. Eu não quero mais ter que ver suas coisas ali, criando mofo, abandonadas. Sempre deixou tudo espalhado e eu nunca me importei em arrumar.
Você fazia parte do meu dia, e estava sempre pronto a me escutar. Ouvia meu chamado, e independente do que estava fazendo e de onde estivesse, você sempre vinha ao meu encontro. Participou de momentos importantes ao meu lado, êxito, derrotas, decepções, alegrias. Mas, um feio dia, não mais que de repente, você partiu...e me deixou aqui...só...
Estou muito magoada, meu coração clama sua volta, está partido, ressentido, dilacerado, e só sabe pensar em você. Não sei como pôde me deixar! Por que?! Por que?! Não suporto essa ingratidão, de tudo te dei, amor, casa, comida, diversão...e você, seu pérfido maldito, sumiu e me deixou a ver navios naufragando...
Ahh...Totó...eu te perdôo, volta pra casa...! Seu pratinho com ração e aquela meleca misturada estão fresquinhos a te esperar...Oh Totó, volta logo pro seu lar, seu cão ingrato!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

cansada...tãoooo


não, eu não sei onde fica esse lugar, desculpe, não comprei o produto certo, a quantidade também tá errada, não, eu não posso esperar nem ligar depois, é, não posso agora, tô ocupada sim, não, eu não tô nervosa, putz, o velhinho pôs o carro na frente da minha garagem de novo, e a voz atormentante, agoniante, metálica da atendente autômata/eletrônica insiste num monólogo comigo, e meus devedores pedem complacência..."me ajuda" (a andar de SW4)...e a mim, quem ajuda (a abastecer a geladeira)? sacal! (...) realmente não tenho saco, já nasci sem, mas mesmo assim sou tolerante, e não confundam com degustação de sapos...se é que me entendem...essa fome que abastece multidões, toda essa gana por matéria, mais valia, vaidade, capa da revista, destaque no jornal, esse adquirir mais que perquirir não me sustenta, me sinto cansada...tãoooo...Descartes e suas teorias sistêmicas (noves fora o racionalismo e a matemática moderna): a combinação de partes, coordenadas, concorrem para certo fim; isso pra mim é o nervoso-sistema, este me quer por pra dentro, me estupra todos os dias, e não há crime, penalidade é só peninha e banalidade... e o dia passa, e eu ainda não saí do lugar, mesmo já tendo percorrido vários cantos, essa pressa não me adianta, os lugares não me cabem, e essa vontade é imortal, nunca vou conseguir matar...tenho remorso, não devia ter falado assim, quanto mais eu irada, mais doce ele ficava, eu sei, ele é lindo, puro, inocente, gosta de travessuras, vê cores em tudo que é pardo, eu não, meus olhos já não conseguem enxergar isso mais, contemplo o que é parco, síntese por favor, resuma essa ópera, não escorregue, poupe meus encerados ouvidos, e a língua então, tá la dentro, e por Deus, quer continuar, não me liguem, não me aticem, nem ao menos perguntem: e ae tude bem? (...), não me falem em tantras, psicos, budas ou qq literato coelho de merda, eu peço, me deixem, quero um troço qualquer que me tire de mim...medicamento...isso não...uma boa dose de veneno anti-hipocrisia já ia bem, e uma longa estadia na Polinésia Francesa também, até me faria ser cortês com Buda se ele viesse me recepcionar de camisa florida e me oferecesse um drink alucinante, eu sei, to aqui, ouço tudo, mas nada quero...socorro...alguém me tira o coração...que não quero mais que bata, nem apanhe...