quarta-feira, 9 de setembro de 2009

bons livros e más companhias

Enquanto todos no universo estão olhando e admirando o ícone do momento - semi-deuses provisórios - lamberem os beiços ao receberem estatueta de bronze falso (geralmente de péssimo gosto - que certamente vai ocupar lugar atrás dos livros da estante), eu estou olhando pro lado "errado", pra margem, só pra variar. Estatueta - homenagem - o prêmio, declarado de suma importância pelo seu próprio criador, e que, a priori, intenta revelar a nós, pobres mortais, o quão magnânimo e hieraquircamente superior é o premiado indivíduo por ter perseguido o conseguido objeto, e claro, alçado vôo tão refulgente.
Sinceramente - vaidades à parte, considerando os métodos para (sobre)vivência neste atol pós-moderno da sociedade contemporânea neo-liberal mercadológica globista (plin-plin)...o ostracismo me parece mais gratificante...e me leva a suprir inexplicável e relevante atração pelos excluídos, os exceptuados, os marginais...em detrimento dos bem-sucedidos, premiáveis, publicáveis, de "qualidades notórias".
É que esse lance de aceitação - reconhecimento - admiração - idolatria - popularidade - gosto (nada) espontâneo da massa, do júri, votantes, nunca me convenceu, sempre soou mal aos meus encerados ouvidos, não adentra o meu lobo frontal. E a idosa dúvida sempre vinha permear meu desajustado ser: será o cujo dito merecedor? apareceu, mas cresceu? possível, mas improvável(?). E minha CPU logo iniciava a busca do conceito de conspiração e suas teorias fantásticas e detonava as ogivas das divagações infrutuosas entre eu e eu mesma...
Contudo, investigar as reais aptidões ou adjetivos dos concorrentes a prêmio, cargo, bibelô, destaque no palco, ou, querer diagnosticar a postura dos togados, eleitores, quase-deuses - seres de notório saber e índole indelével - mais que capazes de julgar e decidir pelos seus eleitos, os melhores, os vencedores, os "bons", não me importa, não me atiça, e não altera o meu investimento no mercado de ações. Mesmo porque (ainda) não tenho o privilégio de perder meu escasso tempim com assuntos escusados, e nem posso abrir mão do meu tão estimado e cultivado ócio específico - fundamental para minha sobrevivência. (Será que nossa estadia no detonado planetinha Terra dura tempo suficiente pra eternizar os atuais, as mentes brilhantes contemporâneas?).
Aliás, não seria eu competente para tal missão tão substancial. Eu, híbrida, o paradoxo de mim mesma...sem destaque no palco, sem estatuetas na estante, sem fãs, sem laias, sem inúmeros seguidores no blog ou twitter...confesso que, da infância à perversão, sempre perambulei pelo mercado dos rejeitados, da exceção...a alcunha de highlander adquiri com louvor...meus pais que o digam...tadinhos...preocupavam-se com minha excêntrica vidinha (anti) social..."essa menina não tem um milhão de amigos, essa menina não quer ir aos débuts das coleguinhas, não quer participar dos concursos literários e de matemática, não vai ao clube aos sábados à tarde, brigou com a freira do catecismo...o que a gente faz com ela?..."
Hoje lhes e vos digo...dê a ela(e) "bons" livros e deixe que conviva em "más" companhias...

* aos desavisados e pais preocupados: existem metáforas no texto

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

você nunca viu nada igual


tristezas despidas de lágrimas banhadas em soro antiofídico
grilhões de uma malfadada vida de alegrias convencionais disfarçadas
canelas que ardem e escorrem sangue de catchup
mentiras tatuadas no corpo com tinta guache escolar
rasga logo esse disfarce que te revela
libertas será tarde...
antes nunca que esperar
consuma suas misérias e seja feliz por r$ 1,99
ceifa as feridas com faquinhas de plástico dos aniversários infantis
compre sua viagem de alforria para o calabouço do infinito
e leve de brinde sua liberdade solitária
tire o arrebol desses olhos e fecha essa porta pra sempre
nunca se cale sobre os cadáveres que velas e te vela
continue desferindo seus defeitos a todos ouvidos fúnebres e atentos
os pecados...é o que temos de melhor
nossas únicas verdades absolutas
você nunca viu nada igual
nem eu de calcinha larga cor amarelo manga
nem a elegância de uma vida trajada em puro linho branco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Volta!

Estou só, nada nem ninguém pode enxergar os olhos meus, me sinto infeliz, acho que é medo, pavor, solidão. Essa casa fica triste sem você, não ouço mais seu andado apressado pelo corredor...e me cansei de esperar pela sua chegada triunfal enchendo o ambiente com presença tão marcante. Eu não quero mais ter que ver suas coisas ali, criando mofo, abandonadas. Sempre deixou tudo espalhado e eu nunca me importei em arrumar.
Você fazia parte do meu dia, e estava sempre pronto a me escutar. Ouvia meu chamado, e independente do que estava fazendo e de onde estivesse, você sempre vinha ao meu encontro. Participou de momentos importantes ao meu lado, êxito, derrotas, decepções, alegrias. Mas, um feio dia, não mais que de repente, você partiu...e me deixou aqui...só...
Estou muito magoada, meu coração clama sua volta, está partido, ressentido, dilacerado, e só sabe pensar em você. Não sei como pôde me deixar! Por que?! Por que?! Não suporto essa ingratidão, de tudo te dei, amor, casa, comida, diversão...e você, seu pérfido maldito, sumiu e me deixou a ver navios naufragando...
Ahh...Totó...eu te perdôo, volta pra casa...! Seu pratinho com ração e aquela meleca misturada estão fresquinhos a te esperar...Oh Totó, volta logo pro seu lar, seu cão ingrato!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

cansada...tãoooo


não, eu não sei onde fica esse lugar, desculpe, não comprei o produto certo, a quantidade também tá errada, não, eu não posso esperar nem ligar depois, é, não posso agora, tô ocupada sim, não, eu não tô nervosa, putz, o velhinho pôs o carro na frente da minha garagem de novo, e a voz atormentante, agoniante, metálica da atendente autômata/eletrônica insiste num monólogo comigo, e meus devedores pedem complacência..."me ajuda" (a andar de SW4)...e a mim, quem ajuda (a abastecer a geladeira)? sacal! (...) realmente não tenho saco, já nasci sem, mas mesmo assim sou tolerante, e não confundam com degustação de sapos...se é que me entendem...essa fome que abastece multidões, toda essa gana por matéria, mais valia, vaidade, capa da revista, destaque no jornal, esse adquirir mais que perquirir não me sustenta, me sinto cansada...tãoooo...Descartes e suas teorias sistêmicas (noves fora o racionalismo e a matemática moderna): a combinação de partes, coordenadas, concorrem para certo fim; isso pra mim é o nervoso-sistema, este me quer por pra dentro, me estupra todos os dias, e não há crime, penalidade é só peninha e banalidade... e o dia passa, e eu ainda não saí do lugar, mesmo já tendo percorrido vários cantos, essa pressa não me adianta, os lugares não me cabem, e essa vontade é imortal, nunca vou conseguir matar...tenho remorso, não devia ter falado assim, quanto mais eu irada, mais doce ele ficava, eu sei, ele é lindo, puro, inocente, gosta de travessuras, vê cores em tudo que é pardo, eu não, meus olhos já não conseguem enxergar isso mais, contemplo o que é parco, síntese por favor, resuma essa ópera, não escorregue, poupe meus encerados ouvidos, e a língua então, tá la dentro, e por Deus, quer continuar, não me liguem, não me aticem, nem ao menos perguntem: e ae tude bem? (...), não me falem em tantras, psicos, budas ou qq literato coelho de merda, eu peço, me deixem, quero um troço qualquer que me tire de mim...medicamento...isso não...uma boa dose de veneno anti-hipocrisia já ia bem, e uma longa estadia na Polinésia Francesa também, até me faria ser cortês com Buda se ele viesse me recepcionar de camisa florida e me oferecesse um drink alucinante, eu sei, to aqui, ouço tudo, mas nada quero...socorro...alguém me tira o coração...que não quero mais que bata, nem apanhe...

terça-feira, 30 de junho de 2009

titica


Salto de precipícios como pássaros em vôos delirantes
Detono mísseis de titica em togados, déspotas e arrogantes
Chafurdo os olhos de poucos interessados em literatura ofegante
Sem fãs e sem o afã de perverter incautos e subumanos recalcitrantes
Em cima da corda bamba traço planos mirabolantes
Enquanto tomo pílulas mágicas com poder extasiante
Picho sobre telas clássicas e retratos imortais de gente importante
Faço a ilustre eternidade se tornar um mero instante
Provoco o caos e impressões verdadeiramente impressionantes
Roubo dignos suspiros de pessoas realmente relevantes
E sigo expelindo lorotas e merdas alucinantes!

terça-feira, 16 de junho de 2009

maldito cheiro


Tudo que andam te dizendo foi recolhido nas pocilgas por quem vacilou, escorregou e por lá ficou, isso não passa de restos, proveitos de lixos reciclados precariamente...e tudo isso só pra te impressionar, fazer pensar forçosamente, e te deixar incorrer em erro, te ludibriar do quão magnânimos e inteirados são...Malditos dublês de sociopatas...só tropeçam nos limites da percepção e nuncam ultrapassaram a fronteira entre a miséria e a glória.
Tudo isso não passa de sabedoria de latrina, de quem só leva tapa na cara da vida, e perdeu todo o tempo nessa fauna estúpida de favores funestos, em troca de moedas putanas, boquetadas, punheteiras, experts em surdir como gafanhotos do solo com máscaras grosseiras, proferindo mensagens quase encantadas-besteiras, com aquela voz quase muda que pesa como aço, mas enferruja com ácido, e irradia cores que só podem ver os urubus...insípidos egos de carbono...
E você? Vai engolir toda essa merda que te aplicam em doses cavalares? Vai perder a moral debaixo do seu próprio teto? Foda o rabo dos conceitos de antanhos e mande os pré-conceitos pra pqp. Enfie a mão em caras e parâmetros. Bata de frente com as referências. Escarre nas unidades modisticamente modeladas. Um tiro de escopeta nos tabus. Tem que criar o mundo na sua cabeça, porra!
Joga isso fora antes que toda essa logorréia te impregne, e aplica logo um bom ar nesse metro e meio de raio em que vive pra que esse maldito cheiro não fique guardado na sua franzina memória...salut!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

a meada

Procuro o fio da minha meada, ainda não achei, talvez nunca ache. Tenho gosto por algumas coisas, não muitas...nem poucas, gosto de gente, não importa a cor, conheço algumas de cór, nem todas tolero, umas sem sal, outras açúcar demais, faz mal, tem aquelas com cara de mamão morno, e outras que têm sempre aquela cara "do que que eu tenho a ver com isso" - cara-de-cú-blasé, eu enjôo. Ode às imbecis, burras jamais, longe de mim, e não confundam mula com asno, pero que conheço analfabetos ou semi, dotados de elevada sapiência, em detrimento das inapropriadas e esmeradas mentes brilhantes, phds em vazio existencial e desprovidos de experiências carne-osso-coração. Cultivo recalcitrante aversão à espertice, juro...se não houvesse possibilidade de pena de 30 anos de reclusão pra quem comete homicídio-justa causa, aniquilaria um a um todos os espertalhões que se colocassem à minha frente, pertencem à pior das laias, os que burlam qualquer tipo de fila, que aceleram o relógio pra sair antes ou retardam pra ficar mais (medição na proporção do interesse-próprio-exclusivo), os que quase te abalroam pra pegar sua tão esperada vaga no estacionamento, os que confundem o valor devolvido do troco pra ficar com mais, birra dos que falam alto no celular e ainda ficam andando de um lado pro outro, e os incôngruos que colocam aquela maldita campainha no mais alto tom pra chamar atenção e fazer pensar o quão importantes são por serem tão inoportunamente solicitados. Os que pigarram no restaurante, os que sempre têm uma piadinha ridícula pra dizer, aqueles que pensam que estão num concurso de "engraçadices" bestiais, e proferem uma após outra. Não gosto dos muito doces, dos muito simpáticos, nem dos extremamente bonzinhos, e para os pancrácios, néscios e aleivosos, não há perdão. Gosto dos descabelados, dos que pisam leve, dos impetuosos discretos, dos de semblante sério com ar desenvolto, soltos, dos que fazem questão de não ser vistos, dos que falam baixo, de preferência pouco, gosto dos saborosos, muito azedos, não amargos. Agridoces. Gosto de gente, nem sei porque, gente sente e isso é problemático. Deveria gostar só de cães, que você dana, põe pra fora e ele sempre volta saltitante, feliz da vida, com o rabo abanando e te lambendo os pés, seja você rico, pobre, burro ou mal caráter, mas não, gosto de gente, devo mesmo ser sadomaso. De uma coisa pelo menos me livrei, execrei do meu convívio a classe: frescos e deprimidos, não tenho inclinação, nem pros cultizins de merda ou academicuzinhos e seus assuntos fundamentais sobre como a humanidade é intelectualmente pobre e desprovida de 'cultura', e de como podem ser abstinentes de obras de Matisse, reprodução n° 107, ou da 139ª edição de Metamorfose - Kafka - quem não leu não pode merecer a continuidade nesse mundim fenomenal chamado Terra. E os artistas, como são chatos e enfadonhos (desculpem, nada pessoal com nenhuma persona, é a própria generalização da classe), escondidos atrás daquela arrogância disfarçada e sua tão espetacular e irreconhecida sensibilidade...asco...como se somente eles no mundo fossem dotados de profícua sensibilidade e capazes de produzir ou "obrar" algo que eles mesmos denominam arte. Esses também merecem cravejada de balas.
Meu sonho pueril era ser motorista de caminhão, não sei porque, via tanta arte e romantismo neste ofício, eu, absorta na estrada, nada a planejar, alguém diria, vá pra lá e eu iria, sem saber o que ia encontrar, só observando as paisagens indo e vindo e as gentes diversas se alternando em seus habitats...deve ser devido a algum filme que vi. Pensava também em ser detetive policial, desvendar mistérios, dar o furo, revelar pro mundo o que alguém, geralmente de péssima índole e má-fé, tentava desesperadamente esconder, isso me dava prazer, ser a justiceira "etnocida", a dama de ouro, só eu devia assitir isso. Hoje sei e digo, não esperem por justiça, cansa e dói as pernas, e quanto à esperança, é a primeira que deve morrer. Ser puta também me atraia, imagina, prazeres diversos, tê-los e/ou dá-los, e ainda ganhar por isso. Meus pensamentos lúbricos iam saciar a vontade contida e executar fantasias guardadas no armário imaginário enquanto eu armazenaria fartos reais. Dar a bunda dói menos que cativar amigos ingratos, insistir em profissões improfícuas e em amores desgraçados. Mas, não deu...criteriosa demais.
É...a vida é um pentelho no gim...nada fácil encontrar um caminho, desbravar o desconhecido e o irreconhecido nessa minha meada que está mais pro fundo do buraco negro do que pra busca da ponta do fio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

bem qt kiss

queria muito que tivesse me visto
faceira, disposta, perfumosa
pernas pqtqro nuas, coloquei meu melhor vestido
aquele rosa que você gosta, que me diz voluptuosa
ensaiei olhar zombeteiro e discurso certeiro
justo naquele dia, de tudo daria, me-ter fácil seria
até lamberia sua velha ferida, íntima ser ia...sem ser
e você...neimmm me viu...bem qt kiss......
tudo bem, passei desapercebida, sem culpas ou des
eu sei, a gente só enxerga o que quer ver
mas não importa, amanhã de novo look
volto a ser a sempre bela boop

segunda-feira, 1 de junho de 2009

o ano que tem vem

plano se for de vôo,

se-não antecipa ofício,

sem comer o ouro-fício,

dia mo-vida dia-a-dia,

pro-já tô, pro-jeto não,

futuro distante, presente rente,

amanhã não existo, se sim insisto,

agora urge, o depois surge

come quente, no refrigerador também vence

final de semana programa-fim

pros 5 invernos, os 5 sentidos

mar-çobindo e abril o caminho

percepção, instante e instinto

bem feito julho não veio

agosto ou desgosto de quem?

mesmo assim se-tem-brochove?

tem o que? nada, só dores, de nove(o)mbros pesados

dolo(a)res me falta, nem mandou flores, cotovelo doeu,

prima-vera morreu, deixou planos seus

se for, boa sorte, se vier, vem bem rindo

inventa esse destino, ouve o sino e faz seu hino

ferver eira com beira, sentir o frescor da macieira

malditos vistos despidos

futuros mal passados sem sal

tráfego intenso, entupir o porvir,

chegar e voltar, vagas não há, todo o mundo está lá

se fostes pr'além, voltastes pr'aquém(?)

ja foi tarde, fica em pé

assanha-te e pega senha

chega antes e assenta

o ano que tem vem

se somente vê além

aqui não estava neim

perdeu o sol poente, não viu o sol nascente

retarda(r)do projetista

sonha bem com o que não tem

gracias, saúde, amém

quarta-feira, 27 de maio de 2009

desperta-dor



então tá
se quer assim
meta a cara aí
faz logo o que tá a fim
e sinta o que vem de lá
prepara-te amanhã
pro que d(o)er e vier
desperta-dor pras dez
ansiedade cura
quando a ferida supura

terça-feira, 19 de maio de 2009

doce de amor(a)



fazer doce
sonho (de)leite
cheiro de corpo em êxtase

cor furta-cor-feliz
fica um grude
você emim

gosto de amor(a)
esquenta aqui
tem calor nos olhos teus

adoro música
sua risada
da fruta desse músculo tem percussão
tu tum seu coração

prepara a goma
néctar de mármore

fica mais
gruda emim
te lambuzo de uva
sua boca carmim


Mitologia Grega - as amoras eram brancas, depois de Píramo e Tisbe foi dada a elas a cor vermelha.

Dois jovens belos e muito apaixonados, Píramo e Tisbe, queriam muito casar, porém seus pais não permitiam. Eles eram vizinhos, separados por uma parede. Nessa parede havia uma fresta e os amantes trocavam palavras de amor. Certo dia, se encontraram a noite e decidiram que a única alternativa que tinham para ficar juntos era fugir de suas casas. Combinaram de se encontrar no túmulo de Nino, fora dos limites da cidade, ao pé de uma amoreira branca e próxima a uma fonte refrescante. Tisbe chegou primeiro ao local, de repente uma leoa se aproximou com a boca ensangüentada querendo se molhar na fonte. Tisbe correu e escondeu em uma gruta, deixando seu véu cair sobre a terra. A leoa viu o véu e o rasgou com os dentes ensangüentados. Quando Píramo chegou e não achou Tisbe, viu as pegadas do felino e o véu de sua amada todo rasgado e ensangüentado, se desesperou e decidiu morrer também, desembainhou sua espada e feriu o próprio coração. Quando Tisbe retornou ao local se deparou com o amado morto, decidiu também morrer junto com ele. Assim, por causa do sangue dos apaixonados que foi derramado aos pés da amoreira, os deuses se comoveram e decidiram dar a cor vermelha às amoras.
Na mitologia as histórias-fábulas são sempre fatalisticamente belas e líricas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bitch don't cry!

Cara Nina

Ando muito preocupada com minha filha. Já é uma mocinha, vai fazer 15 aninhos agora em junho, e eu e o papi, meu esposo, queremos dar um presente inesquecível pra ela: um début, em alto estilo, festança, chiquérrima mesmo, numa dessas casas chic de recepção da cidade e mais uma viagem à Disney. E você não vai acreditar, a menina não quer, nem um nem outro. Insiste em usar aquele cabelo desgrenhado, não faz chapinha, não quer usar salto alto, e nem as unhas quer pintar. Além de tudo, não quer sair pra jantar nos restaurantes do shopping nos sábados, não vai mais aos cultos com a família, nem à pizzaria aos domingos, e se recusa a ir nas festas high society em que certamente seremos retratados nas colunas sociais. Ah, e pra piorar, namora um estudante de Ciências Socias. Vê se pode! E isso lá dá futuro? E mais, a mocinha já deixou bem claro que não vai fazer vestibular pra Direito e prefere cursar Designer Gráfico. Tô desesperada. O que faço? (Maria Bernadeth de Cândido – nome fictício)

Cara senhora

Sua filha é mesmo uma bitch incurável, um caso perdido, um motim em carne e osso. Se for sua única filha, que dó, pobre e injustiçada mãe, jamais terá uma amiga "de verdade". A senhora deve estar se sentindo uma fdp, quero dizer, a mãe da... ah, deixa pra lá..., bem, a última das mães, tendo uma filha transviada e desajustada.
Como pode esse bizarro ser de 15 anos não querer uma viagem à Disney, um sonho pueril imperdível, principalmente pra senhora, que me parece ser uma new riche, que apostava todos seus frescos tostões que sua amada cria seria a personificação da Barbie, com uma surreal vida de facilidades, matrimônio com o Bob - príncipe dos empreendimentos e grandes corporações, fins de semana em Punta Del Leste, e fotos colgate no castelo da CARAS. Esperava veementemente que a garota gastasse o abastado tempinho de sua tenra idade comprando bugigangas made in China em Miami. Não fique tão consternada, ainda resta a 25 de março em São Paulo, faça a feira por lá mesmo. Quanto à festança trés chic, com direito a lícores de tâmaras frescas e patê de fígado de ganso, não desista, realize-a quando completar uma das certeiras bodas do c... de asa com seu digníssimo comparsa. Esse début é um daqueles seus sonhos de antanhos. Provavelmente a senhora teve uma infância de nenhuma opulência, e devido à forçada precocidade adquirida, já na fase juvenil era preocupada demais com a r$eal ausência de distribuição de justiça social e com a abstinência da calça da fórum que a sua melhor amiga tinha, e sua malfadada mãe (mama Africa), solteira, largada, e ainda por cima, empacotadeira das Casas Bahia, não podia te dar, o que lhe causava uma revolta Tsunami. Mas, agradeça, o destino lhe foi justo, teve a sorte de casar com um matuto endinheirado, que lhe proporciona uma vida de abundâncias, só que isso não lhe basta, né(?), agora quer transferir pra pobre bitch infeliz suas expectativas e superar suas frustrações de pobre numa festa de bacana do interior. Fico imaginando a sua nefasta filhinha, deve pensar em suicídio todo dia, ou no mínimo desejar ter fôlego suficiente pra correr pelo menos um raio de 200kms em direção oposta da sua "augusta presença", posto que, conviver com a senhora e com o papi deve ser "sal no café" (obrigada comments).
A mocinha só não quer fazer chapinha porque acredita fielmente que a mãe derreteu o juízo de tanto esticar os cabelos à força, e o salto alto deve remeter a coitadinha à visão da amante cafona do papi, que imagino deva ser uma das suas melhores amigas, e, só aqui entre nós, seu cúmplice não deve ser crucificado por lhe trair.
E este seu desejo de ter uma filha advogada ou juíza deve-se ao fato da sua vida ser uma roubalheira só, a sua conta bancária de cifras vultuosa, inexplicável, e seu criterioso círculo de amigos, habitado por seres de moral tão relativizada e comportamentos de tão elevados paradoximos que nem o namoradinho cientista social da sua filha saberia explicar.
Minha senhora, deixe a menina em paz!! Se você é realmente uma fiel, frequentadora de cultos, ore pela sua salvação, e nunca queira sua cria à sua imagem e semelhança, dê a ela uma esperança. A garota vai ser grafiteira de muros numa tentativa radical de se safar das amiguinhas asnáticas, os pretendentes "Bob" imbecis, com seus carros tunados e rituais de malhação, e o obtuso papi que lhe quer fazer entender, na pecheira, que estudar Direito numa faculdade particular em dois anos é o melhor pra ela.
Eu lhe aconselho, do fundo do meu estômago, que procure algo útil pra fazer, ou quem sabe uma terapia, daquelas soco no nariz. Creio poder ter lhe ajudado neste conflito tão sério. Boa sorte!!
Foto: Aviso! Completamente cadela! Sim, eu sou a garota sobre a qual sua mãe te advertiu.Tenha cuidado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cruisin


Sabe aqueles dias que você abre os olhos pensando que deveria pensar menos pra poder sentir mais(!)?
Então! Após dejéune passei a sentir mais, dirigindo meu carro, cruzando a cidade, avenidas, busca desesperada por uma música que me caísse bem, trocas de cds enfins, e achei um som pra sentir...Ah...é essa mesma que eu precisava, ela é azul com cor-de-rosa, céu do cerrado no pré-inverno às 17h30, delícia, mamão com mel, algodão doce, pra meros rasantes, baixos até, suspiros, cafuné no ânimo, pontapé na imaginação...viver o clip, comercial de celular.
A música!? Ah sim, Cruisin (busca lá no http://www.deezer.com/, e você vai ouvir o que eu senti).

A letra? Lá no http://www.letras.mus.br/ deve ter.

É essa mesma, cruisin, musiquinha fácil, porque hoje eu preciso que tudo seja fácil.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lá

vou lá
onde as chaves, senhas e sapatos são supérfluos,
lá, tem água de nascente e mansa corrente de vento,
lá, o tempo perdoa e corre lento,
lá, o sol queima minha pele o ano inteiro

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Aquisição


Pensando bem
e pouco basta
achei
A virtude
eu compraria
equilíbrio
Pronto, escolhida
necessária
pro sobre-viver
noite e dia
centro do escudo
dois lados
paralelos desiguais
trapezista involuntário
corda bamba
medição malebem
a razão passional
pega, e não toca
desfecho resoluto
sentença intrépida
Elejo o equilíbrio,
senhora das minhas virtudes
C'est ça!