quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não fui eu


Não fui eu
que sujei seu terno azul;
que usei seu sapatinho de cristal - que se partiu no primeiro passo;
que reguei seus lírios com ácido sulfúrico;
que passeei sobre seu jardim com tanque de guerra;
que rasguei seu testamento - de objetos imprestáveis, valores ínfimos e dívidas impagáveis;
que cuspi no seu prato morno;
que fiz sua barba com a moto serra;
que tatuei esse sorriso na sua cara mal lavada;
que vendei seus olhos no momento do pôr do sol;
que matei o filho do seu Pai;
que coloquei lisérgico no vinho dos seus discípulos;
que salguei sua ceia (santa);
que emprestei o isqueiro pros seus algozes incendiários;
que publiquei seus segredos no jornal da manhã;
que saqueei sua caixa preta;
que guardei seu coração no fundo do baú;
que ceifei sua personalité;
que mordi sua perna na fila de espera;
que trouxe a fome pro seu regime;
que lhe aluguei essa casa sem telhado;
que lhe trouxe doce roubado de criança;
que lhe devolvi o troco errado;
que lhe mandei correr com tesouras;
que gargalhei no dia que você chorou;
que roubei sua solidão;
que enfeitei sua tristeza;
que calei na hora da sua defesa.
Não fui eu que sonhei com o paraíso habitado por seres de elevada moral e lubricidade.
Não fui eu. Não fui. Não eu.
Eu sinto (muito) pouco.
Tudo está como era pra ser e assim não o seria se não fosse por você.
Bem feito está. A culpa pertence a quem a carrega. Eu me sinto leve.
Sua consciência deve estar lá naquele brexó que você adora frequentar. Foi objeto de troca. Resgate-a por preço vil. Aproveite as ofertas e adquira outras bobagens de antanhos e bibelôs inanimados que já serviram de cenário para as suas cenas, e em nada alteram a demanda do mercado contemporâneo.
Colecione suas desculpas prontas e aguarde a ocasião certa para tirá-las do saco.
Siga corretamente o modo de usar e utilize-as com moderação.
Desculpas consumadas quando consumidas.
Sofista de merda.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SERÁ QUE DEUS CRÊ EM MIM?


Tenho fé porque preciso tanto dela quanto do metal (o vil) para (sobre)viver.
A fé está sempre me colocando em xeque, e eu, compelida a fazer dela o objeto dos meus devaneios. A fé anda sempre misturada e confundida com a esperança, e ao contrário do que prolatam por aí, a esperança é a primeira que deve morrer.
Tento...tento...tento...praticar a caridade. Doar-me um pouco aos outros, e doar algumas pataca$ também. Mas não me engano, doar o que sobra - o resto - não é mérito algum. Estou longe (muito mesmo) de ser algo parecido com a matrona Teresa, ou mesmo ter livre acesso (sem pagar pedágio) ao "reino dos céus".
Dos Sacramentos: fui batizada por uma sociedade hipócrita, mas não me deixei crismar. Meu filho é dito "pagão". Eu, sinceramente, só posso rir de tudo isso. Já quase contraí matrimônio. Não, não é doença. Não criei anticorpos. Mas sarei assim mesmo. Podem descartar a vacina, é dispensável.
Minha trindade são três seres em apenas um: razão, emoção, e, cartão de débito (é, só gasto o que tenho hoje).
Parte de mim é amor, outra (enorme por sinal), desejos, tudo com uma leve pitada de crueldade e lirismo.
Já fui (uma) fiel, hoje me questiono. Comunguei erradamente opiniões, gostos e decisões. Revi, arredei, desconstruí, metamorfoseei, passei de lagarta a borboleta (inúmeras vezes e não necessariamente nesta ordem).
Confessei coisas inconfessáveis (sob o efeito de lisérgicos e/ou influenciada pela veia hormonal), claro, precisava de cúmplices para a tarefa da libertação.
Às vezes me arrependo, de não ter tido colhões suficientes pra fazer o que estava a fim. O que fiz já está feito. Certo ou errado...
Por vezes perdoei - 7x70, por menos vezes recebi perdão.
Aos que me magoaram profundamente, dei extrema-unção - para facilitar suas entradas num outro mundo, bem distante, que não o meu.
Canonizei (que ingenuidade) pessoas, acreditei em falsos profetas, em suas parábolas e em pseudo-milagres, e quando as promessas não se cumpriram, tornei-me nelas descrente. Mas persisto na maldita e inabalável fé.
Conheci e convivi com algumas almas condenadas. Não fiz muito por elas senão dar-lhes uma lamparina (Venha para a luz...Karolaine). E, dos cegos por opção, me afastei.
Vez em quando vou ao céu, passo várias vezes pelo purgatório e já tive a sensação de estar no inferno, entretanto, não perdi o juízo, afinal. Deus, não sei falar sobre, tal nome, em um mundo tão concreto, me remete ao indefinível, intangível. Contudo, preciso crer que algo melhor que a espécie humana deva existir, afinal de contas - de novo a idosa dúvida - pra que tudo e todos aqui? Essa bomba relógio, Terra, ínfimo planetinha navegando no meio de uma galáxia gigantesca, habitado por seres viventes, dotados de razão bruta e sentimentos diversos e dúbios, amaldiçoados pela eterna busca de perguntas sem respostas.
Deus(?)... Aproveito agora ao citar seu nome, para desculpar-me pelas inúmeras vezes em que o tomei em vão. Foi mal, mas tem horas que só uma intervenção divina mesmo pra dar jeito. Vivo pedindo a ele proteção. Já deve estar usando o estoque reserva. Perdoa-me Pai pelos meus atos funestos e pelos males que não faço, mas penso ou desejo. Eu sei que o perdão divino é para os que não sabem o que fazem, é que às vezes nem eu mesma sei o que faço ou falo.
Procuro guardar-me para os domingos e festas. Os profanos de preferência, regados a vinho, acompanhados de amigos, boa música, e outras bilongas mais. "A vida necessita de pausas".
Sempre honrei e honrarei meus pais, embora seja o antônimo deles.
Já matei, sono, fome, vontade, tesão, saudade, tempo...e a arrogância do meu próximo ao desarticular suas verdades perfeitas e absolutas.
E pequei. Meu Senhor e Minha (Nossa) Senhora...inúmeras vezes. Fui contra a castidade. Tolerância e pudores nunca foram o meu forte. Hodiernamente tenho exercitado a tolerância, tentando sepultar aos poucos meu lado critico em prol da emergente espiritualidade. Mas não confundam tolerância com degustação de sapos.
Também furtei. A mim, certos prazeres, aos outros, o prazer em me ver fracassar.
E roubei ainda mais: flores, corações, olhares, atenção, poesias, canções, frases... Mas tudo por uma boa causa!
Por necessidade (causa própria ou não), já menti, levantei falso testemunho e/ou fui cúmplice. E quando foi, ou ainda é preciso, neguei e nego muitas vezes. Contudo, depois de fazer um balanço geral na vida, opto pela verdade, mesmo que inconveniente. Todos não proclamam por ela!? Então agüenta!
Já fui traída por um beijo, já me negaram várias vezes e também tentaram me crucificar. Como não me deixo ser pega como Cristo, dou sempre meu jeitinho de renascer antes do 3º dia.
Nunca desejei a mulher do próximo (até porque não é minha praia). Mas cobiço coisas alheias: inteligência, talentos, sabedoria, conhecimento, cultura, experiências...Porque apesar das minhas, eu quero ainda mais. Por isso, estou sempre junto aos bons, aos bons livros, e muitas vezes, às más companhias (são riquíssimas em experiências).
A gula...confesso - adoro boa comida.
A vaidade...confesso - adoro me sentir linda (?!).
A luxúria... confesso – ai, ai, faz um bem à pele...e o tônus muscular!
Avareza! É (esse meu sangue árabe!). Uma em especial, minha essência. Essa é só minha. Também...quem vai querer(?). E ainda tem a tal da caixa preta (as misérias e as virtudes nun saco só) que todo mundo carrega consigo, incólume, até o dia do ultimo suspiro.
Meu maior e melhor pecado: preguiça. Adoro! Principalmente numa terça-feira à tarde, enquanto todos trabalham, eu, em ótima e lúbrica companhia.
São Jorge é o máximo. Imaginem...o cara (de origem turca) “vive na lua” (segundo a cultura brasileira e africana: Ogum ou Oxossi) montado em seu cavalo, a matar dragões de hálito venenoso (histórias medievais).
Não acredito em santos. No máximo em pessoas iluminadas e que fazem um bem danado ao nosso mundinho quando por aqui passam.
Acredito em anjos, ou espíritos, pode dar o nome que quiser. Principalmente os que me cercam, protegem, e os que insistem em me obsediar. Tão ocupados!
Acredito em bruxas. Elas existem sim. Conheço um bom número delas.
Acredito em mim e nos meus ideais, meus paradoxos e idiossincrasias, na (in)viabilidade do ser humano, em justiça (...), paz (urgente), amor ao próximo e na tão falada, buscada, comentada, questionada, indefinível fé.
Acima de tudo, acredito que exista algo melhor que eu mesma e meus “irmãos”. Logo, nada me faltará (mas vou à caça da presa todo dia pra levar pra cria comer no jantar...).
Não sou católica, apostólica, tampouco romana. Não me comovem os “bons sentimentos” sazonais do Natal e não acredito no papai Noel (desculpa Loro).
Eu apenas creio. "Minha fé é meu jogo de cintura". Sou eu uma adorável pecadora. Uma transgressora sem culpas. Uma ovelha que não pertence a nenhum rebanho. Que faz promessas, juras, rogas e rezas. Que às vezes pragueja, mas bem menos que abençoa. Que tem seu próprio templo e busca a maldita felicidade. Não é isso que importa afinal?!
Será que Deus crê em mim?
Felicidades e facilidades, hoje, agora e sempre, e não só no ano que vem. Assim seja!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

no problems


Já não sei a quantas ou quanto ando, não sei se vai ou racha, se vou ou se fico, se desço ou dou, se me retiro ou insisto, se chuto ou afago, se torço ou padeço, nada me mostra o tudo como eu tanto quis ver antes. Performances mal acabadas, sujeitos sem verbo, conjugações sem nenhuma conjunção. Tudo ofuscado, quero correr, vou pra lá, venho pra cá, esse caminho me descaminha, eternas voltas, sem destino, um círculo, queria sim, meio e fim, talvez o início, sem vícios, segredos onipresentes, malícias escancaradas, mentiras sinceras ou falsetes ensaiados.
Eu já não sei quem sou, ou sei muito até demais, mas não posso dizer. Nunca consegui ser eu de verdade, entre o pensar, agir e ser, há distâncias nunca percorridas, tudo que é vai além do que se vê, aquém do que se imagina, o momento em que diz - age - é, é diferente do que se pensou ser e sentir. O que sinto não se faz, não acontece, e acaba se transformando no que digo. É confuso demais! Não importa. Não entenda. A indigesta coerência e a consciência estão perdidas, contudo, me resta a alucinação serena.
As vidas se repetem, todos se repetem, um espetáculo de gentes atuando a mesma peça, um jogral desafinado, onde dizem o que pensam sentir e não exprimem nada do que são.
Ae...lá vem ela...a imagem daquele ser sombreado, face escondida, capuz preto e foice na mão. Acena pra mim, cutuca meu ombro esquerdo, me quer já, eu reluto um pouco, depois penso em me entregar, haverá paz...abaixo dos temidos sete palmos, pelo menos...silêncio, isolamento...no problems... Sim, tudo morre e deve morrer, é preciso que haja vazios...disse alguém. Estejam resignados diante do fim! Compreendo que tudo acaba... A tristeza é um cansaço grande, pesado tonel, dói bastante, mas depois, melhora. Dá um medo, mas a gente fica, esperando, como na ante-sala do médico, tem que ficar lá, quieto, pra ser o próximo. Pause! Depois a vida continua seu rumo, com todas as intempéries, como no mar, ondas de prazer e dor, vêm e vão. Não me engano, o auge de algo muito díficil sempre chega, experimente o momento dolorido e sinta-o até o fim. Agradeça por ele também.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

bons livros e más companhias

Enquanto todos no universo estão olhando e admirando o ícone do momento - semi-deuses provisórios - lamberem os beiços ao receberem estatueta de bronze falso (geralmente de péssimo gosto - que certamente vai ocupar lugar atrás dos livros da estante), eu estou olhando pro lado "errado", pra margem, só pra variar. Estatueta - homenagem - o prêmio, declarado de suma importância pelo seu próprio criador, e que, a priori, intenta revelar a nós, pobres mortais, o quão magnânimo e hieraquircamente superior é o premiado indivíduo por ter perseguido o conseguido objeto, e claro, alçado vôo tão refulgente.
Sinceramente - vaidades à parte, considerando os métodos para (sobre)vivência neste atol pós-moderno da sociedade contemporânea neo-liberal mercadológica globista (plin-plin)...o ostracismo me parece mais gratificante...e me leva a suprir inexplicável e relevante atração pelos excluídos, os exceptuados, os marginais...em detrimento dos bem-sucedidos, premiáveis, publicáveis, de "qualidades notórias".
É que esse lance de aceitação - reconhecimento - admiração - idolatria - popularidade - gosto (nada) espontâneo da massa, do júri, votantes, nunca me convenceu, sempre soou mal aos meus encerados ouvidos, não adentra o meu lobo frontal. E a idosa dúvida sempre vinha permear meu desajustado ser: será o cujo dito merecedor? apareceu, mas cresceu? possível, mas improvável(?). E minha CPU logo iniciava a busca do conceito de conspiração e suas teorias fantásticas e detonava as ogivas das divagações infrutuosas entre eu e eu mesma...
Contudo, investigar as reais aptidões ou adjetivos dos concorrentes a prêmio, cargo, bibelô, destaque no palco, ou, querer diagnosticar a postura dos togados, eleitores, quase-deuses - seres de notório saber e índole indelével - mais que capazes de julgar e decidir pelos seus eleitos, os melhores, os vencedores, os "bons", não me importa, não me atiça, e não altera o meu investimento no mercado de ações. Mesmo porque (ainda) não tenho o privilégio de perder meu escasso tempim com assuntos escusados, e nem posso abrir mão do meu tão estimado e cultivado ócio específico - fundamental para minha sobrevivência. (Será que nossa estadia no detonado planetinha Terra dura tempo suficiente pra eternizar os atuais, as mentes brilhantes contemporâneas?).
Aliás, não seria eu competente para tal missão tão substancial. Eu, híbrida, o paradoxo de mim mesma...sem destaque no palco, sem estatuetas na estante, sem fãs, sem laias, sem inúmeros seguidores no blog ou twitter...confesso que, da infância à perversão, sempre perambulei pelo mercado dos rejeitados, da exceção...a alcunha de highlander adquiri com louvor...meus pais que o digam...tadinhos...preocupavam-se com minha excêntrica vidinha (anti) social..."essa menina não tem um milhão de amigos, essa menina não quer ir aos débuts das coleguinhas, não quer participar dos concursos literários e de matemática, não vai ao clube aos sábados à tarde, brigou com a freira do catecismo...o que a gente faz com ela?..."
Hoje lhes e vos digo...dê a ela(e) "bons" livros e deixe que conviva em "más" companhias...

* aos desavisados e pais preocupados: existem metáforas no texto

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

você nunca viu nada igual


tristezas despidas de lágrimas banhadas em soro antiofídico
grilhões de uma malfadada vida de alegrias convencionais disfarçadas
canelas que ardem e escorrem sangue de catchup
mentiras tatuadas no corpo com tinta guache escolar
rasga logo esse disfarce que te revela
libertas será tarde...
antes nunca que esperar
consuma suas misérias e seja feliz por r$ 1,99
ceifa as feridas com faquinhas de plástico dos aniversários infantis
compre sua viagem de alforria para o calabouço do infinito
e leve de brinde sua liberdade solitária
tire o arrebol desses olhos e fecha essa porta pra sempre
nunca se cale sobre os cadáveres que velas e te vela
continue desferindo seus defeitos a todos ouvidos fúnebres e atentos
os pecados...é o que temos de melhor
nossas únicas verdades absolutas
você nunca viu nada igual
nem eu de calcinha larga cor amarelo manga
nem a elegância de uma vida trajada em puro linho branco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Volta!

Estou só, nada nem ninguém pode enxergar os olhos meus, me sinto infeliz, acho que é medo, pavor, solidão. Essa casa fica triste sem você, não ouço mais seu andado apressado pelo corredor...e me cansei de esperar pela sua chegada triunfal enchendo o ambiente com presença tão marcante. Eu não quero mais ter que ver suas coisas ali, criando mofo, abandonadas. Sempre deixou tudo espalhado e eu nunca me importei em arrumar.
Você fazia parte do meu dia, e estava sempre pronto a me escutar. Ouvia meu chamado, e independente do que estava fazendo e de onde estivesse, você sempre vinha ao meu encontro. Participou de momentos importantes ao meu lado, êxito, derrotas, decepções, alegrias. Mas, um feio dia, não mais que de repente, você partiu...e me deixou aqui...só...
Estou muito magoada, meu coração clama sua volta, está partido, ressentido, dilacerado, e só sabe pensar em você. Não sei como pôde me deixar! Por que?! Por que?! Não suporto essa ingratidão, de tudo te dei, amor, casa, comida, diversão...e você, seu pérfido maldito, sumiu e me deixou a ver navios naufragando...
Ahh...Totó...eu te perdôo, volta pra casa...! Seu pratinho com ração e aquela meleca misturada estão fresquinhos a te esperar...Oh Totó, volta logo pro seu lar, seu cão ingrato!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

cansada...tãoooo


não, eu não sei onde fica esse lugar, desculpe, não comprei o produto certo, a quantidade também tá errada, não, eu não posso esperar nem ligar depois, é, não posso agora, tô ocupada sim, não, eu não tô nervosa, putz, o velhinho pôs o carro na frente da minha garagem de novo, e a voz atormentante, agoniante, metálica da atendente autômata/eletrônica insiste num monólogo comigo, e meus devedores pedem complacência..."me ajuda" (a andar de SW4)...e a mim, quem ajuda (a abastecer a geladeira)? sacal! (...) realmente não tenho saco, já nasci sem, mas mesmo assim sou tolerante, e não confundam com degustação de sapos...se é que me entendem...essa fome que abastece multidões, toda essa gana por matéria, mais valia, vaidade, capa da revista, destaque no jornal, esse adquirir mais que perquirir não me sustenta, me sinto cansada...tãoooo...Descartes e suas teorias sistêmicas (noves fora o racionalismo e a matemática moderna): a combinação de partes, coordenadas, concorrem para certo fim; isso pra mim é o nervoso-sistema, este me quer por pra dentro, me estupra todos os dias, e não há crime, penalidade é só peninha e banalidade... e o dia passa, e eu ainda não saí do lugar, mesmo já tendo percorrido vários cantos, essa pressa não me adianta, os lugares não me cabem, e essa vontade é imortal, nunca vou conseguir matar...tenho remorso, não devia ter falado assim, quanto mais eu irada, mais doce ele ficava, eu sei, ele é lindo, puro, inocente, gosta de travessuras, vê cores em tudo que é pardo, eu não, meus olhos já não conseguem enxergar isso mais, contemplo o que é parco, síntese por favor, resuma essa ópera, não escorregue, poupe meus encerados ouvidos, e a língua então, tá la dentro, e por Deus, quer continuar, não me liguem, não me aticem, nem ao menos perguntem: e ae tude bem? (...), não me falem em tantras, psicos, budas ou qq literato coelho de merda, eu peço, me deixem, quero um troço qualquer que me tire de mim...medicamento...isso não...uma boa dose de veneno anti-hipocrisia já ia bem, e uma longa estadia na Polinésia Francesa também, até me faria ser cortês com Buda se ele viesse me recepcionar de camisa florida e me oferecesse um drink alucinante, eu sei, to aqui, ouço tudo, mas nada quero...socorro...alguém me tira o coração...que não quero mais que bata, nem apanhe...

terça-feira, 30 de junho de 2009

titica


Salto de precipícios como pássaros em vôos delirantes
Detono mísseis de titica em togados, déspotas e arrogantes
Chafurdo os olhos de poucos interessados em literatura ofegante
Sem fãs e sem o afã de perverter incautos e subumanos recalcitrantes
Em cima da corda bamba traço planos mirabolantes
Enquanto tomo pílulas mágicas com poder extasiante
Picho sobre telas clássicas e retratos imortais de gente importante
Faço a ilustre eternidade se tornar um mero instante
Provoco o caos e impressões verdadeiramente impressionantes
Roubo dignos suspiros de pessoas realmente relevantes
E sigo expelindo lorotas e merdas alucinantes!

terça-feira, 16 de junho de 2009

maldito cheiro


Tudo que andam te dizendo foi recolhido nas pocilgas por quem vacilou, escorregou e por lá ficou, isso não passa de restos, proveitos de lixos reciclados precariamente...e tudo isso só pra te impressionar, fazer pensar forçosamente, e te deixar incorrer em erro, te ludibriar do quão magnânimos e inteirados são...Malditos dublês de sociopatas...só tropeçam nos limites da percepção e nuncam ultrapassaram a fronteira entre a miséria e a glória.
Tudo isso não passa de sabedoria de latrina, de quem só leva tapa na cara da vida, e perdeu todo o tempo nessa fauna estúpida de favores funestos, em troca de moedas putanas, boquetadas, punheteiras, experts em surdir como gafanhotos do solo com máscaras grosseiras, proferindo mensagens quase encantadas-besteiras, com aquela voz quase muda que pesa como aço, mas enferruja com ácido, e irradia cores que só podem ver os urubus...insípidos egos de carbono...
E você? Vai engolir toda essa merda que te aplicam em doses cavalares? Vai perder a moral debaixo do seu próprio teto? Foda o rabo dos conceitos de antanhos e mande os pré-conceitos pra pqp. Enfie a mão em caras e parâmetros. Bata de frente com as referências. Escarre nas unidades modisticamente modeladas. Um tiro de escopeta nos tabus. Tem que criar o mundo na sua cabeça, porra!
Joga isso fora antes que toda essa logorréia te impregne, e aplica logo um bom ar nesse metro e meio de raio em que vive pra que esse maldito cheiro não fique guardado na sua franzina memória...salut!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

a meada

Procuro o fio da minha meada, ainda não achei, talvez nunca ache. Tenho gosto por algumas coisas, não muitas...nem poucas, gosto de gente, não importa a cor, conheço algumas de cór, nem todas tolero, umas sem sal, outras açúcar demais, faz mal, tem aquelas com cara de mamão morno, e outras que têm sempre aquela cara "do que que eu tenho a ver com isso" - cara-de-cú-blasé, eu enjôo. Ode às imbecis, burras jamais, longe de mim, e não confundam mula com asno, pero que conheço analfabetos ou semi, dotados de elevada sapiência, em detrimento das inapropriadas e esmeradas mentes brilhantes, phds em vazio existencial e desprovidos de experiências carne-osso-coração. Cultivo recalcitrante aversão à espertice, juro...se não houvesse possibilidade de pena de 30 anos de reclusão pra quem comete homicídio-justa causa, aniquilaria um a um todos os espertalhões que se colocassem à minha frente, pertencem à pior das laias, os que burlam qualquer tipo de fila, que aceleram o relógio pra sair antes ou retardam pra ficar mais (medição na proporção do interesse-próprio-exclusivo), os que quase te abalroam pra pegar sua tão esperada vaga no estacionamento, os que confundem o valor devolvido do troco pra ficar com mais, birra dos que falam alto no celular e ainda ficam andando de um lado pro outro, e os incôngruos que colocam aquela maldita campainha no mais alto tom pra chamar atenção e fazer pensar o quão importantes são por serem tão inoportunamente solicitados. Os que pigarram no restaurante, os que sempre têm uma piadinha ridícula pra dizer, aqueles que pensam que estão num concurso de "engraçadices" bestiais, e proferem uma após outra. Não gosto dos muito doces, dos muito simpáticos, nem dos extremamente bonzinhos, e para os pancrácios, néscios e aleivosos, não há perdão. Gosto dos descabelados, dos que pisam leve, dos impetuosos discretos, dos de semblante sério com ar desenvolto, soltos, dos que fazem questão de não ser vistos, dos que falam baixo, de preferência pouco, gosto dos saborosos, muito azedos, não amargos. Agridoces. Gosto de gente, nem sei porque, gente sente e isso é problemático. Deveria gostar só de cães, que você dana, põe pra fora e ele sempre volta saltitante, feliz da vida, com o rabo abanando e te lambendo os pés, seja você rico, pobre, burro ou mal caráter, mas não, gosto de gente, devo mesmo ser sadomaso. De uma coisa pelo menos me livrei, execrei do meu convívio a classe: frescos e deprimidos, não tenho inclinação, nem pros cultizins de merda ou academicuzinhos e seus assuntos fundamentais sobre como a humanidade é intelectualmente pobre e desprovida de 'cultura', e de como podem ser abstinentes de obras de Matisse, reprodução n° 107, ou da 139ª edição de Metamorfose - Kafka - quem não leu não pode merecer a continuidade nesse mundim fenomenal chamado Terra. E os artistas, como são chatos e enfadonhos (desculpem, nada pessoal com nenhuma persona, é a própria generalização da classe), escondidos atrás daquela arrogância disfarçada e sua tão espetacular e irreconhecida sensibilidade...asco...como se somente eles no mundo fossem dotados de profícua sensibilidade e capazes de produzir ou "obrar" algo que eles mesmos denominam arte. Esses também merecem cravejada de balas.
Meu sonho pueril era ser motorista de caminhão, não sei porque, via tanta arte e romantismo neste ofício, eu, absorta na estrada, nada a planejar, alguém diria, vá pra lá e eu iria, sem saber o que ia encontrar, só observando as paisagens indo e vindo e as gentes diversas se alternando em seus habitats...deve ser devido a algum filme que vi. Pensava também em ser detetive policial, desvendar mistérios, dar o furo, revelar pro mundo o que alguém, geralmente de péssima índole e má-fé, tentava desesperadamente esconder, isso me dava prazer, ser a justiceira "etnocida", a dama de ouro, só eu devia assitir isso. Hoje sei e digo, não esperem por justiça, cansa e dói as pernas, e quanto à esperança, é a primeira que deve morrer. Ser puta também me atraia, imagina, prazeres diversos, tê-los e/ou dá-los, e ainda ganhar por isso. Meus pensamentos lúbricos iam saciar a vontade contida e executar fantasias guardadas no armário imaginário enquanto eu armazenaria fartos reais. Dar a bunda dói menos que cativar amigos ingratos, insistir em profissões improfícuas e em amores desgraçados. Mas, não deu...criteriosa demais.
É...a vida é um pentelho no gim...nada fácil encontrar um caminho, desbravar o desconhecido e o irreconhecido nessa minha meada que está mais pro fundo do buraco negro do que pra busca da ponta do fio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

bem qt kiss

queria muito que tivesse me visto
faceira, disposta, perfumosa
pernas pqtqro nuas, coloquei meu melhor vestido
aquele rosa que você gosta, que me diz voluptuosa
ensaiei olhar zombeteiro e discurso certeiro
justo naquele dia, de tudo daria, me-ter fácil seria
até lamberia sua velha ferida, íntima ser ia...sem ser
e você...neimmm me viu...bem qt kiss......
tudo bem, passei desapercebida, sem culpas ou des
eu sei, a gente só enxerga o que quer ver
mas não importa, amanhã de novo look
volto a ser a sempre bela boop

segunda-feira, 1 de junho de 2009

o ano que tem vem

plano se for de vôo,

se-não antecipa ofício,

sem comer o ouro-fício,

dia mo-vida dia-a-dia,

pro-já tô, pro-jeto não,

futuro distante, presente rente,

amanhã não existo, se sim insisto,

agora urge, o depois surge

come quente, no refrigerador também vence

final de semana programa-fim

pros 5 invernos, os 5 sentidos

mar-çobindo e abril o caminho

percepção, instante e instinto

bem feito julho não veio

agosto ou desgosto de quem?

mesmo assim se-tem-brochove?

tem o que? nada, só dores, de nove(o)mbros pesados

dolo(a)res me falta, nem mandou flores, cotovelo doeu,

prima-vera morreu, deixou planos seus

se for, boa sorte, se vier, vem bem rindo

inventa esse destino, ouve o sino e faz seu hino

ferver eira com beira, sentir o frescor da macieira

malditos vistos despidos

futuros mal passados sem sal

tráfego intenso, entupir o porvir,

chegar e voltar, vagas não há, todo o mundo está lá

se fostes pr'além, voltastes pr'aquém(?)

ja foi tarde, fica em pé

assanha-te e pega senha

chega antes e assenta

o ano que tem vem

se somente vê além

aqui não estava neim

perdeu o sol poente, não viu o sol nascente

retarda(r)do projetista

sonha bem com o que não tem

gracias, saúde, amém

quarta-feira, 27 de maio de 2009

desperta-dor



então tá
se quer assim
meta a cara aí
faz logo o que tá a fim
e sinta o que vem de lá
prepara-te amanhã
pro que d(o)er e vier
desperta-dor pras dez
ansiedade cura
quando a ferida supura

terça-feira, 19 de maio de 2009

doce de amor(a)



fazer doce
sonho (de)leite
cheiro de corpo em êxtase

cor furta-cor-feliz
fica um grude
você emim

gosto de amor(a)
esquenta aqui
tem calor nos olhos teus

adoro música
sua risada
da fruta desse músculo tem percussão
tu tum seu coração

prepara a goma
néctar de mármore

fica mais
gruda emim
te lambuzo de uva
sua boca carmim


Mitologia Grega - as amoras eram brancas, depois de Píramo e Tisbe foi dada a elas a cor vermelha.

Dois jovens belos e muito apaixonados, Píramo e Tisbe, queriam muito casar, porém seus pais não permitiam. Eles eram vizinhos, separados por uma parede. Nessa parede havia uma fresta e os amantes trocavam palavras de amor. Certo dia, se encontraram a noite e decidiram que a única alternativa que tinham para ficar juntos era fugir de suas casas. Combinaram de se encontrar no túmulo de Nino, fora dos limites da cidade, ao pé de uma amoreira branca e próxima a uma fonte refrescante. Tisbe chegou primeiro ao local, de repente uma leoa se aproximou com a boca ensangüentada querendo se molhar na fonte. Tisbe correu e escondeu em uma gruta, deixando seu véu cair sobre a terra. A leoa viu o véu e o rasgou com os dentes ensangüentados. Quando Píramo chegou e não achou Tisbe, viu as pegadas do felino e o véu de sua amada todo rasgado e ensangüentado, se desesperou e decidiu morrer também, desembainhou sua espada e feriu o próprio coração. Quando Tisbe retornou ao local se deparou com o amado morto, decidiu também morrer junto com ele. Assim, por causa do sangue dos apaixonados que foi derramado aos pés da amoreira, os deuses se comoveram e decidiram dar a cor vermelha às amoras.
Na mitologia as histórias-fábulas são sempre fatalisticamente belas e líricas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bitch don't cry!

Cara Nina

Ando muito preocupada com minha filha. Já é uma mocinha, vai fazer 15 aninhos agora em junho, e eu e o papi, meu esposo, queremos dar um presente inesquecível pra ela: um début, em alto estilo, festança, chiquérrima mesmo, numa dessas casas chic de recepção da cidade e mais uma viagem à Disney. E você não vai acreditar, a menina não quer, nem um nem outro. Insiste em usar aquele cabelo desgrenhado, não faz chapinha, não quer usar salto alto, e nem as unhas quer pintar. Além de tudo, não quer sair pra jantar nos restaurantes do shopping nos sábados, não vai mais aos cultos com a família, nem à pizzaria aos domingos, e se recusa a ir nas festas high society em que certamente seremos retratados nas colunas sociais. Ah, e pra piorar, namora um estudante de Ciências Socias. Vê se pode! E isso lá dá futuro? E mais, a mocinha já deixou bem claro que não vai fazer vestibular pra Direito e prefere cursar Designer Gráfico. Tô desesperada. O que faço? (Maria Bernadeth de Cândido – nome fictício)

Cara senhora

Sua filha é mesmo uma bitch incurável, um caso perdido, um motim em carne e osso. Se for sua única filha, que dó, pobre e injustiçada mãe, jamais terá uma amiga "de verdade". A senhora deve estar se sentindo uma fdp, quero dizer, a mãe da... ah, deixa pra lá..., bem, a última das mães, tendo uma filha transviada e desajustada.
Como pode esse bizarro ser de 15 anos não querer uma viagem à Disney, um sonho pueril imperdível, principalmente pra senhora, que me parece ser uma new riche, que apostava todos seus frescos tostões que sua amada cria seria a personificação da Barbie, com uma surreal vida de facilidades, matrimônio com o Bob - príncipe dos empreendimentos e grandes corporações, fins de semana em Punta Del Leste, e fotos colgate no castelo da CARAS. Esperava veementemente que a garota gastasse o abastado tempinho de sua tenra idade comprando bugigangas made in China em Miami. Não fique tão consternada, ainda resta a 25 de março em São Paulo, faça a feira por lá mesmo. Quanto à festança trés chic, com direito a lícores de tâmaras frescas e patê de fígado de ganso, não desista, realize-a quando completar uma das certeiras bodas do c... de asa com seu digníssimo comparsa. Esse début é um daqueles seus sonhos de antanhos. Provavelmente a senhora teve uma infância de nenhuma opulência, e devido à forçada precocidade adquirida, já na fase juvenil era preocupada demais com a r$eal ausência de distribuição de justiça social e com a abstinência da calça da fórum que a sua melhor amiga tinha, e sua malfadada mãe (mama Africa), solteira, largada, e ainda por cima, empacotadeira das Casas Bahia, não podia te dar, o que lhe causava uma revolta Tsunami. Mas, agradeça, o destino lhe foi justo, teve a sorte de casar com um matuto endinheirado, que lhe proporciona uma vida de abundâncias, só que isso não lhe basta, né(?), agora quer transferir pra pobre bitch infeliz suas expectativas e superar suas frustrações de pobre numa festa de bacana do interior. Fico imaginando a sua nefasta filhinha, deve pensar em suicídio todo dia, ou no mínimo desejar ter fôlego suficiente pra correr pelo menos um raio de 200kms em direção oposta da sua "augusta presença", posto que, conviver com a senhora e com o papi deve ser "sal no café" (obrigada comments).
A mocinha só não quer fazer chapinha porque acredita fielmente que a mãe derreteu o juízo de tanto esticar os cabelos à força, e o salto alto deve remeter a coitadinha à visão da amante cafona do papi, que imagino deva ser uma das suas melhores amigas, e, só aqui entre nós, seu cúmplice não deve ser crucificado por lhe trair.
E este seu desejo de ter uma filha advogada ou juíza deve-se ao fato da sua vida ser uma roubalheira só, a sua conta bancária de cifras vultuosa, inexplicável, e seu criterioso círculo de amigos, habitado por seres de moral tão relativizada e comportamentos de tão elevados paradoximos que nem o namoradinho cientista social da sua filha saberia explicar.
Minha senhora, deixe a menina em paz!! Se você é realmente uma fiel, frequentadora de cultos, ore pela sua salvação, e nunca queira sua cria à sua imagem e semelhança, dê a ela uma esperança. A garota vai ser grafiteira de muros numa tentativa radical de se safar das amiguinhas asnáticas, os pretendentes "Bob" imbecis, com seus carros tunados e rituais de malhação, e o obtuso papi que lhe quer fazer entender, na pecheira, que estudar Direito numa faculdade particular em dois anos é o melhor pra ela.
Eu lhe aconselho, do fundo do meu estômago, que procure algo útil pra fazer, ou quem sabe uma terapia, daquelas soco no nariz. Creio poder ter lhe ajudado neste conflito tão sério. Boa sorte!!
Foto: Aviso! Completamente cadela! Sim, eu sou a garota sobre a qual sua mãe te advertiu.Tenha cuidado.