quinta-feira, 24 de julho de 2014
Nina desagrada
Desculpe, mas eu vou te desagradar
se eu não agrado nem a mim mesma
mesmo devendo ser eu a pessoa mais importante pra mim
não queira você
que eu agrade você
segundos, terceiros
ou outros vindouros
protagonistas, antagonistas, coadjuvantes ou figurantes
desculpe, não dá
eu vou te desagradar.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
caixa preta
Vibração, ânimo, força, determinação. Tais palavrinhas de ordem, exaustivamente pronunciadas, embalavam-me. Eu, sobrecarregando razões - pretextos, justificativas. Convicções!?
Mas, não mais que de repente, uma coisa se perdeu no caminho. E o caminho era curto até, podia eu voltar se quisesse. Mas não. Não vou retornar. O regresso sempre é uma estrada tãooooo longa... Preciso continuar o caminhar. Em frente, para os lados, para cima, para baixo. Para trás, jamais.
Não se recupera o que já foi. O tempo. Foi o que já era. E o que passou não existe mais, a não ser dentro de quem se omitiu, ou mentiu pra si mesmo no momento que tudo aconteceu, e não se resolveu, ou mal resolveu.
Interessante como o verbo desfazer se desfaz como fumaça, no vento e no tempo.
Então eu vinha. Mas esqueci porque vim.
Vim mas não sei mais porque estou aqui.
As razões me encheram de nada. Não me explicaram o tudo, nem o pouco. E nunca me convencem do porvir. E do que será.
O que é necessário pra mim? E pra você? E o que importa de verdade na verdade?!
Quais razões seriam suficientes para fazer crer, viver, amar...
Existem razões que convencem sobre o porquê do querer? Do amar? Sobre o viver? Sobreviver!(?)
Alguém?! Você tem alguma razão convincente suficiente aí? Por favor, manda pra mim.
É como ter a audácia, ou melhor, a empáfia pragmática de supor interpretar poesia...É tão impróprio como o amor próprio.
Eu não tenho razões. Todas perdidas. Me abstenho. Procuro viver bem sem. Escolhi acreditar que tudo é pra sentir, e nada é pra explicar.
Crer, orar, doar, admirar, degustar, cheirar, pegar, beijar, amar, amar, e amar...até o avesso dos ossos, até o fundo do poço, até o restolho do bagaço, até o verso e inverso do certo e do incerto, contagiar, expandir, emanar, unir, ratificar, consentir. Dar o alimento pra toda fome, seja lá do que for.
Poder tudo sentir...ao perder razões, justificações e convicções.
E sempre existe aquele que chega carregado de razões e as defende com facões. Pode ser ou fazer algum sentido?
O sentido da desorientação rumo ao pertencimento de uma desorganização secreta.
Voilá! Abram suas caixas pretas!
quarta-feira, 11 de junho de 2014
declaro-me minha
hoje vai ser assim
do meu jeitoposso até fazer o que você quer
mas na hora que eu quiser
não se engane
não sou especial
sou só espacial
te ocupo, me ocupo, me sobro
e vou
a imensidão do vazio
é muito maior
que o cheio do tudo
vou sem disfarce
máscaras são desejos estéticos
um supor ser
meu avesso é o lado mais certo
eu boto a cara
essa mesma que tenho
tanto pra surra quanto pro gozo
já aprendi
pode rolar dor
tapa, voadora, porrada
e quem sabe, até beijo no final
mas não é sempre assim
depende do aguçamento
do instinto
até de sex appeal
mas primordial é o querer
alguém não me mete medo
alguém não me mete nada
a não ser o que eu quero e peço
não devo nada a ninguém
só pensa a cia de telecomunicação
que sempre me cobra sem razão
mas não me importo
não preciso de telemas não me importo
para comunica-ação
faço bem sem
bota cadência e toma tenência
o que é meu sou eu
e ninguém tasca
eu compartilho
com a condição de devolução
e fica avisado
gaiolas sugam meu encanto
o sangue fica morno
e morro em vida
sem demora
que encontro não há
se me faz esperar
preciso de mim agora
adeus
terça-feira, 27 de maio de 2014
você não é
tire-me daqui, não posso mais, não suporto essa endrômina
tudo aqui é feito de plástico, criação para o ludíbrio
em segundos se desfaz, em tempo menor ao de uma cagada
me tira daqui, não quero isso, nem aquilo
a cada dia que passa, passo a dar menos importância
ao que todos julgam importante
e quem julga?
você se cansa, você sofre, você corre atrás, de quê?
você parece tão infeliz, mas sempre finge tão bem
está tão exausto e não consegue mais dormir
são as vestes de estilo, o carro novo made in Japan, a linda casa decorada, seu cachorro com cheiro bom
você abarrota o tempo com tantas coisas
você mata o tempo, você se mata
você tenta, você tenta, você não vive
você não passa de uma invenção, criou sua imagem e agora investe tempo em alimentá-la
se esforça para o mundo acreditar no que quer que ele acredite sobre você
sua ilusão é tão inconsciente quanto a sua respiração
você é tão doce, por que insiste em ser amargo?
qual das faces sobreviverá, a que julgas ser ou a que pensam sobre você?
eu não me importo mais, eu não quero, e nunca quis
me tira do seu retrato, eu jamais estive lá
eu sou apenas um inseto que escapou do escuro da noite
a mariposa que buscou a luz que me encontrou
essa foi minha última dor de cabeça dos últimos tempos
vou cagar essa farsa, acabar com essa dor de barriga
vou cagar pra você que finge, que pensa que acha que é
você não é
vá cagá!
domingo, 11 de maio de 2014
o inextricável
| foto by V - Exposição Mr. Brainwash - Galeria Artes - Londres |
tudo pode, e algumas coisas até devem, ser esquecidas, dispensadas - pra fôra da despensa íntima!
novas etapas virão, novos começos se anunciam, e a gente vai junto, não fica pra trás, não dá, a vida é um processo e as fases vão se cumprir e te empurrar, queira você ou não
e você não vai se matar por isso, nem por aquilo
sinto muito quando coisas que pareciam boas não se eternizam, sempre há esse desejo, por óbvio, mas se chegam ao fim é porque nunca foram, e não eram mesmo pra ser
precedentemente havia um cansaço, ele chegou, ficou, ficou, e ficou, atormentou, e venceu, ele já previa, por isso insistia
a estrada cansa nos momentos que tudo se mostra igual, sem novidade, sem cor, ou a mesma cor, sem tesão, sem paixão, o continuísmo do tudo sempre invariável
o que cansa na verdade não é a estrada, nem o corpo, é a mente, a cabeça...
quando estou correndo, canso, e penso, deve ser a paisagem, que não muda - árvores, árvore, arbusto, rio, grama, flores, florzinhas, carro, carros, bicicletas, motocicletas, gente, pessoas, jovens, velhos, crianças, cães, cadelas - as mesmas circunstâncias em continuidade
então fecho os olhos e corro às cegas, pra ver outros cenários, situações, ocasiões, e aí me vem um ânimo, ganho fôlego, e corro mais rápido, sinto os olhares caírem sobre mim, percebo-os reprovando-me: ''ela corre de olhos fechados, será que é cega (?), uma hora abalroa um objeto inanimado ou animado"
mas, como me resta um cadinho de fé, incitando a mudar o rumo, vou, às vezes com pressa, às vezes às cegas, outras vezes bem lenta, no meu ritmo, mas vou, mudando a direção
porque não há nada mais revigorante que uma nova velha invenção, uma re-criação, a providência da imaginação, ou um sentimento bom pra dar aquele up, aquele gás, aquela vontade de fazer o novo, conseguir, e chegar ao podium de partida
pode ser que eu não vença, mas estou pronta pra mais uma
e aquela dor passada vai passar, eu sei, sempre passa, as minhas sempre passaram, elas não me abatem e não têm força para subsistir ou submeter-me, o sofrimento eu escolho, se aliso ou chuto
saudade não tem fim, uma hora ou outra vem à tona, como doença crônica, pelo menos não dói por muito tempo, nem mata, pode sentir à vontade, eu garanto, não vai doer
imaginação é potencial-mente-real, é quase mágica, faz presente o que está ausente, traz odores, faz ver coisas, sente gostos e texturas
pode tudo acontecer se é o que você quer, nem que seja só pra você, no seu cineminha íntimo, no fundão solitário da retina, não precisa mais nada e ninguém
uma vez li que o cérebro é o mais importante e potente órgão sexual que existe no corpo humano, então, pronto, basta...pardon pela banal analogia, pois isso aqui nada tem a ver com sexo, embora lamentavelmente quase sempre tudo descambe para o sexo
pessoas, pessoas, gentes de todos mundos, sempre querem despertar desejo ou interesse nos outros...bobagens, devaneios, engodos, vaidades...ah se soubessem...
eu, de minha parte, só quero que me enxerguem como sou, não tenho interesse em despertar sensações, talvez o sentimento de amor, puro, indulgente, fácil, e não por mim, mas pelo outro
sem confusões ou equívocos, por favor, me deixem fora disso
basta eu, basta meu caminho, meu renascimento, chega
não quero mais nada, não quero ter ou precisar, já tenho tudo o que me resta, é o bastante
este é o momento que quero avançar no meu processo, por onde eu vou, o que eu sinto e como sou/estou
foi-se-vou-me-só
c'est tout
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O BARCO
...E SE FURTEI SUA PAZ, PERDÃO, FOI EQUÍVOCO CONSENTIDO, RETOME-A,
VÁ EM PAZ...
ESSE AMOR ME CONSUMIU
ME EXAURIU
PRESTO TENÊNCIA
AGRADEÇO PELA DOR
E AO CAUSADOR
AGRADEÇO PELA DOR
E AO CAUSADOR
VALHAM-ME ELES
FOI DEMAIS
PERDIDA EM LABIRINTOS
TÁTICAS NUNCA IMAGINADAS
VIVI, ARDI, GOZEI, SOFRI,
E SEM ARDIS,
SENTI
TUDO UM DIA HÁ DE TER FIM
SEM INTENCIONAR TE CONVENCER DO CONTRÁRIO
TODO AMOR SERÁ PERECÍVEL ENFIM (?)
TODO AMOR SERÁ PERECÍVEL ENFIM (?)
E SE O ADEUS FOI POR ENGANO
ACEITE ENTÃO, SEM CULPA OU PERDÃO
COMO UMA BOA ARGONAUTA QUE SOU
PROSSIGO NAVEGANDO
DESBRAVANDO, REMANDO
E SE ÀQUELE PORTO UM DIA VOLTAR
LÁ NÃO HÁ DE ME ENCONTRAR
SE FOI UM VÍCIO
CONFESSEI, ASSUMI
ASPIREI FORTE
ATÉ SENTIR O CHEIRO DE MORTE
ATÉ SENTIR O CHEIRO DE MORTE
DESVANECER, CAIR, SUCUMBIR
E NÃO DESISTI AO MENOS
EU SEMPRE VOU ATÉ O FIM
E SEGUIREI A QUEIMAR NO FOGO E ARDER
A ENGOLIR O VAZIO GÉLIDO
DOS RESISTENTES TEMENTES
QUE JAMAIS EXPERIMENTAM O MORRER
segunda-feira, 14 de abril de 2014
bandeirinhas pra boi engolir
Quanto mais leio as várias e diversas mulheres, de todas as
categorias, rebanhos e bandeiras (diga-se, aliás, mais dando bandeira que
levantando), dissertando, narrando, e falando do gênero da sua espécie, sobre conquistas,
lutas, anseios, pré-ocupações, pré-conceitos, insatisfações, e todos os seus questionamentos,
respaldados na influência do pensamento feminista de antanhos, diante a
geração contemporânea, mais gosto das pós-feministas.
Gente, é preciso entender que essa prosinha pra boi dormir
tá mais que ultrapassada! Putz, mudemos o discurso, a linha do pensamento,
senão, mulheres do meu coração, ninguém sai do lugar, e daqui 200 anos, se o
planeta chegar lá, nossas tataranetas estarão repetindo essas mesmices prescindíveis
sobre as roupinhas de menina boa e de piriguete/vadia, os corpinhos modelos e os escusáveis, as lutinhas sãs e as deploráveis, os chefinhos que te reconhecem e os que cagam em você ou te assediam, quem lava a louça,
cuida da casa, zela da cria, dirige o
carro ou sustenta o hospício familiar. Não há que se ter mais blá blá blá sobre
a luta dos 'direitos femininos' em face do hipotético domínio global
predominantemente do macho.
Fêmeas, os direitos estão aí, existem, usemos!
Direito ao voto com idêntico peso, ao estudo, a ler e
escrever, a lavorar fora de casa, salários iguais, e até maiores, a abortar –
em alguns países, a trepar sem engravidar, licença maternidade (afinal, só nós
mesmas podemos e sabemos como é parir), a usar calças compridas, dirigir, lei do assédio, lei maria da penha... Somos todos pessoas,
com idêntica carne e sangue, é isso que tem que ser considerado. E outra, não
há supremacia de xx ou xy, o que tem que haver é o respeito. E a supremacia é de
quem está com a razão, sem disputinhas de sexo ou alter ego.
O que precisamos defender é o humano exercendo o direito à
supremacia da sua vontade, de fazer o que bem entender, desde que não machuque,
engane ou sobrepuje ninguém.
O ser humano, de todo gênero, até no gênero neutro (?) – novidade
que li estes dias - são tão iguais dentro da sua desigualdade de cromossomos,
que até se confundem. A desigualdade de gêneros deve ser considerada apenas na medida
de suas diferenças fisiológicas/hormonais.
As diferenças, igualdades e barbaridades estão pra todos e
em todos. Pois, neste mundo habitam, mulheres e homens com e sem pretensões, mulheres
e homens com e sem ambições materiais, intelectuais ou espirituais. Há mulheres e
homens que gostam e assistem novela. Há mulheres e homens que casam porque
querem cumprir os reclames da sociedade, e outros querem casar na igreja porque
acham lindo. Há mulheres e homens que querem casar com o dinheiro do outro. Há
mulheres e homens que mantêm o casamento fracassado e de fachada para não dividir
o patrimônio. Há mulheres e homens incautos, há os que votam em branco e depois
reclamam do governo. Há mulheres e homens que se omitem, que mentem, que matam,
que não pagam impostos. Há mulheres e homens vítimas e bandidos, mulheres e homens que
apanham, que são submetidos, que submetem, que se vendem, que pagam pelo que
fizeram, e mulheres e homens que permanecem impunes. Há mulheres e homens que
fazem programa, que dão o cu, que dançam em nightclubs. Mulheres e homens que
foram traficados, escravizados pelo sexo, pelo dinheiro e pela aparência. E
sinceramente, minha gente, essa bandeirinha do direito de não ser estuprado, me
parece estúpida de tão óbvia. Estupros acontecem porque existem maníacos,
doentes, estupradores, e não porque a vítima está usando mini-saia, decote ou
burca. Seja lá qual vestimenta usar, se passar na frente do vilão na
ocasião propícia, será estuprada, independente da modinha que a enfeite.
*O dia que um ignóbil ser ousou passar a mão em mim dentro
do ônibus, para sua infelicidade, eu não gostei, resultado, desceu do ônibus,
no meio da noite, na estrada, e na porrada...
Eu, no meu parco entendimento anti-gênero, acho bacana o
texto feminista inserido no contexto do comportamento de uma época em que havia
abissais diferenças, ou seja, enquanto marco histórico de posicionamento
social. Das atrocidades primitivas à coisificação da mulher: luto e morro contra
as barbáries de todo gênero e grau por amor à liberdade do ser humano, e não ao
cromossomo.
Mas o grande x da questão é que as mulheres ainda estão
naquele discursinho meia boca ou mesmo pós acadêmico, ao invés de lapidar e aprimorar
a arte de tornar os direitos conquistados efetivos, reais, na prática. Porque
afinal de contas, cada um é o que é, e o que quer ser, e só dá as ordens no
barraco, quem ‘fizer por onde’, e, ou, será o humilhado e subjugado, quem assim
se deixou ser - “Quando a gente manda ninguém manda na gente”. E se ‘escolheram’
ser hipócritas, levianos, infiéis, medíocres, submissos, autoritários, medrosos,
indignos, incompetentes, rasos, infames, estúpidos, o são tanto no masculino
como no feminino.
Mas, por óbvio e evidente, há seres, humanos, que desconhecem
a evolução do mundo e a história, e acabam contribuindo para a confusão das
cabecinhas que só engolem o que lhes é dado mastigado, e por isso,
infelizmente, são cerebrozinhos menos ilustrados. E aí que as mocinhas lindas,
malhadas e desavisadas, e rapazes robustos, machões e ignorantes, acabam por
gerar cenas primitivas e grotescas em universidades, ruas, bares e lugares
afins, e os senhores ignóbeis e endinheirados, e as madames refinadas e afiadas,
abatam-se em tribunais. E se as pessoas desse planeta, que convivem nessa
sociedade inadequada, não começarem a se entender e buscar soluções para seus
conflitos, estarão para sempre enlameadas nessa merda decadente.
Então, será o
nosso grande desafio (?), conviver com posicionamentos retrógrados sem a capacidade
de adequá-los, o máximo possível, ao conhecimento do ser humano moderno.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Verena decide morrer
A morte nos causa uma tristeza egoísta, porque somos deixados, ficamos aqui nesta vida mundana, irreal, mentirosa, e o outro vai embora.
É o sentimento de
perda que angustia. Ninguém quer perder. Como se tivéssemos propriedade sobre alguma coisa. Como se fôssemos donos de algo ou alguém.
E junto com a morte vem a ideia inconsciente da impotência humana. E ainda, a preeminência dos vermes. Tão abominados, enojados, e que com sua pequenez e insignificância irão comer seu corpinho tão altivo, seu cerebrozinho tão inteligente, exceto seu siliconizinho, que vai ficar lá enlameado.
E nenhum iate, helicóptero, casa na encosta do Pacífico, mansão, corvette, ou diamante, poderá te salvar. Esses ficam aqui, na posse passageira de outro "dono".
E junto com a morte vem a ideia inconsciente da impotência humana. E ainda, a preeminência dos vermes. Tão abominados, enojados, e que com sua pequenez e insignificância irão comer seu corpinho tão altivo, seu cerebrozinho tão inteligente, exceto seu siliconizinho, que vai ficar lá enlameado.
E nenhum iate, helicóptero, casa na encosta do Pacífico, mansão, corvette, ou diamante, poderá te salvar. Esses ficam aqui, na posse passageira de outro "dono".
A angústia vem do saber que não se pode mais ter com
aquele ser que morreu. Quem aproveitou dele, bem, quem não aproveitou, não terá
mais oportunidade, perdeu.
Toda partida, despedida, traz dor para quem fica. Quem vai, se envolverá em outras viagens, paisagens. E quem fica, foi abandonado. Fica lá no cais do porto, abanando a mão para quem foi, até perder o sujeito de vista e nunca
mais vê-lo.
É a certeza pessoal da morte que nos faz humanos, e traz a consciência da vida como algo que deve ser levado a sério.
É a morte que humaniza, porque nos faz mortais, e torna a vida única e irrepetível. A morte é absoluta, pessoal e intransferível.
É um mistério a ser decifrado com uma experiência única. Além de Jesus, ninguém voltou da morte para contar como foi. Ou não estou bem informada?!
E me parece tão incoerente empenharmos a vida e nossas tarefas cotidianas como forma de resistência à morte, que sabemos ser inevitável.
É, pobres mortais(!), a morte não é apenas necessária, é o padrão rígido do necessário na nossa existência.
É a certeza pessoal da morte que nos faz humanos, e traz a consciência da vida como algo que deve ser levado a sério.
É a morte que humaniza, porque nos faz mortais, e torna a vida única e irrepetível. A morte é absoluta, pessoal e intransferível.
É um mistério a ser decifrado com uma experiência única. Além de Jesus, ninguém voltou da morte para contar como foi. Ou não estou bem informada?!
E me parece tão incoerente empenharmos a vida e nossas tarefas cotidianas como forma de resistência à morte, que sabemos ser inevitável.
É, pobres mortais(!), a morte não é apenas necessária, é o padrão rígido do necessário na nossa existência.
A morte não deveria ser encarada como uma tristeza. Nós, ocidentais, a encaramos assim, por sermos pessoas de pouca fé. Os asiáticos, orientais, pensam diferente. Ainda descubro o que tem eles de tão diferente, e não me refiro somente ao contexto histórico e geográfico, falo de genética mesmo.
Eu, sobre a minha morte vos digo, não quero choros, nem velas. E aliás, podem
me jogar num buraco qualquer. Um corpo sem vida não precisa de companhia, cuidados, roupas
lindas, ou ser embrulhado em caixas de valor.
A morte está por ae, por aqui, solta, de olho em mim, o tempo todo, do meu lado direito, esquerdo, sobre meus ombros, à espreita.
E eu, preparada para olhá-la de frente.
Eu partirei feliz. Estou pronta pra morrer a qualquer momento.
E eu, preparada para olhá-la de frente.
Eu partirei feliz. Estou pronta pra morrer a qualquer momento.
A vida é um milagre. E morrer pra mim é lucro.
Não tenho medo de envelhecer. Meu medo é não me sentir bastantemente viva. Do resto, eu já sei o que tenho que saber, e sei
pra onde vou.
E vocês, pessoas que clamam tanto a Deus, ao se deparar com a
morte, sabem?
quarta-feira, 1 de junho de 2011
O CU PADA

Todo dia é demais pra mim
Não sei se chove ou se faz frio
Ontem jantei, hoje nem almocei
A cama muito me chama e pouco me abraça
Não devia ser assim
Quando pintarei as unhas de azul e extrairei os cravos do nariz
Os pássaros confundem meu cabelo com o ninho
Já não uso antisséptico bucal, quem dera uma corrida matinal
Céline abandonado na cabeceira
Acompanhado dos jornais de terça-feira
A vida passa, eu vou junto, e nem vi
O relógio não me permite ver os amigos, nem me preocupar com algum infeliz
1440 minutos correm depressa e nem me dão fôlego
Pra poder beijar direito o moço e fazer planos casadoiros
Quando o sol nascer de novo, terei acabado de dormir
Hoje já é depois de amanhã, começa o tudo de novo, é o começo do fim
Não vou me acostumar a dosinhas de prozac em taça de cristal
Óh deuses isso é tão sério, será que devia levar a sério?!
Ahh...não vou pensar nisso agora
Porque se penso logo insisto ou desisto
Não quero suores no meu robe de seda
Acabo rindo disso tudo, nem que seja no último minuto
Estou aqui há horas pra colher o fruto do que vivi (ou não vivi)
E a minha parte eu quero em ócio, espumante, e cama redonda com vista pro mar.
(de preferência no tempo das carnes ainda duras - ou macias)
quarta-feira, 23 de março de 2011
água benta

Existe uma saudade maldita que me acompanha, espia e aperta minha carne.
E crises de abstinência solidificam sua presença em miragens lúbricas no cinema da minha mente.
A boca sequiosa à espreita de uma gota dos seus líquidos, e nada mais há que mate essa sede e acalente meu instinto, do que a força da sua língua alterando a minha percepção.
Minhas pupilas dilatam e crescem buscando te alcançar a qualquer distância.
Meu couro se arrepia e transforma meus pêlos em espinhos selvagens que esperam ser domesticados e amaciados por seus dedos viris.
O corpo revolto pela vontade de ti junto a ele, a pulsação alcança velocidade de avião, e palpita urgente, implacável e revelador.
E tudo que há em mim acusa, me expõe, e não há disfarce que disfarce meus sentidos exaltados e meu cheiro exalado.
A minha roupa, os lençóis, os travesseiros e coxas se encharcam enquanto esperam sentir seu peso sobre as minha ancas.
A temperatura queima tudo em volta, e tenho febre de causas e efeitos.
Febre terçã. De ansiar, esperar, ter, tocar, imaginar, sentir, vibrar.
A boca sequiosa à espreita de uma gota dos seus líquidos, e nada mais há que mate essa sede e acalente meu instinto, do que a força da sua língua alterando a minha percepção.
Minhas pupilas dilatam e crescem buscando te alcançar a qualquer distância.
Meu couro se arrepia e transforma meus pêlos em espinhos selvagens que esperam ser domesticados e amaciados por seus dedos viris.
O corpo revolto pela vontade de ti junto a ele, a pulsação alcança velocidade de avião, e palpita urgente, implacável e revelador.
E tudo que há em mim acusa, me expõe, e não há disfarce que disfarce meus sentidos exaltados e meu cheiro exalado.
A minha roupa, os lençóis, os travesseiros e coxas se encharcam enquanto esperam sentir seu peso sobre as minha ancas.
A temperatura queima tudo em volta, e tenho febre de causas e efeitos.
Febre terçã. De ansiar, esperar, ter, tocar, imaginar, sentir, vibrar.
Surto. Pertubação. Agitação. Desordem.
Colapso no vácuo dos meus braços e no vão das minhas pernas sem seu preenchimento.
Não há água suficiente no mundo que abarque a liquidez da sua rigidez convicta e insolente.
E deságuo meu sal, meu suor e mel pra dissipar sua ausência que cresce em proporções ameaçadoras junto ao meu anseio imodesto, petulante e atrevido.
Abro os olhos pra não ver, mas sua ubiquidade me assalta e rouba todos os meus sonhos, deixando em troca seu gosto cravado no céu da minha boca, entorpecendo as papilas com deleite, doçura, dureza e rudez.
Então fecho os olhos, e sua ausência material reflete toda a minha fragilidade, todas as minhas águas, todo o meu mergulho na sua nostalgia, toda a fantasia da minha avidez que é crua, é nua e é sua.
E já não quero mais saber do que se passa lá fora, porque tudo o que me interessa só pode advir de dentro de nós.
Sinais de antropofagia se apropriam de mim. Canibalismo. Te comer entrelinhas e saciar a fome das minhas entranhas. Tateio meu corpo doente na esperança de que venhas logo e me salve.
Colapso no vácuo dos meus braços e no vão das minhas pernas sem seu preenchimento.
Não há água suficiente no mundo que abarque a liquidez da sua rigidez convicta e insolente.
E deságuo meu sal, meu suor e mel pra dissipar sua ausência que cresce em proporções ameaçadoras junto ao meu anseio imodesto, petulante e atrevido.
Abro os olhos pra não ver, mas sua ubiquidade me assalta e rouba todos os meus sonhos, deixando em troca seu gosto cravado no céu da minha boca, entorpecendo as papilas com deleite, doçura, dureza e rudez.
Então fecho os olhos, e sua ausência material reflete toda a minha fragilidade, todas as minhas águas, todo o meu mergulho na sua nostalgia, toda a fantasia da minha avidez que é crua, é nua e é sua.
E já não quero mais saber do que se passa lá fora, porque tudo o que me interessa só pode advir de dentro de nós.
Sinais de antropofagia se apropriam de mim. Canibalismo. Te comer entrelinhas e saciar a fome das minhas entranhas. Tateio meu corpo doente na esperança de que venhas logo e me salve.
Corpo açoitado, desejo santificado, oro e suplico, venha, abençõe-me, e jorre sobre mim sua água benta. Porque persevero no prazer minha fé maometana.
E porque ainda és meu óleo e minha benção, minha cura, minha unção, meu prazer e meu pão.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
ser perfeito é o maior defeito

Você que tem medo do mar
se afoga sempre em terra firme
usa as palavras como ardil
e ao delas se afastar, um passo à frente, se contradiz
incompetente, não sabe agir
devia nutrir o amor – de preferência o próprio – ou impróprio
prezar a carne biodegradável
a cada instante mais distante da eternaidade
escondida atrás de panos chic, cabelo arranjado, peeling de cristal, unhas pintadas
e na cara, o riso amarelo, em dentes brancos
fantasia não maquia o que precisa
onde está a ombridade em honrar a vida que lhe foi permitida
perde tempo, conta estrelas, não topa montanha russa, fala com os mortos,
se afoga sempre em terra firme
usa as palavras como ardil
e ao delas se afastar, um passo à frente, se contradiz
incompetente, não sabe agir
devia nutrir o amor – de preferência o próprio – ou impróprio
prezar a carne biodegradável
a cada instante mais distante da eternaidade
escondida atrás de panos chic, cabelo arranjado, peeling de cristal, unhas pintadas
e na cara, o riso amarelo, em dentes brancos
fantasia não maquia o que precisa
onde está a ombridade em honrar a vida que lhe foi permitida
perde tempo, conta estrelas, não topa montanha russa, fala com os mortos,
não beija o sapo por medo de virar rã
dá a volta ao mundo, rodeia o eixo, e aporta no mesmo portopensa que sabe que vê diferente, e conta sempre a mesma história
mansa, pobre, vítima, desgraçada, desventurada, deplorável, lastimável
pede esmolas, atenção, seguidores, bota placa
suplica sutilmente por companhia
rejeitada em eterno encalço de paixões
bestialmente concebidas em berços sofistas
aviso: nesse mundo só há viralatas
ser perfeito é o maior defeito
não existe príncipe pra você
apague o pânico desse teatro sem chamas
sua casta não será assestada
ei, chega perto: - Teu disfarce te revela.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Dory
Não sei porque e como acontece, mas, do nada, sem previsão divina, da mãe Dinah, dos babalorixás, ou mesmo qualquer intuição ou expectativa humana, o caminho por onde andas some, o imprevisto invade a cena, o mato toma conta da trilha, não há rumo, não há leme, não há luz de fundo, sequer túnel, não há sonho, e nem mesmo qualquer droguinha suficientemente boa e capaz de te colocar em outra viagem.
Sei que um triste dia você abre seus lindos olhos e se vê ali deitado, sem motivo pra levantar o corpo e tomar a posição vertical. Sem rédeas pra domar, facas pra brigar, um corpo pra amar, nem metro e meio pra ocupar.
Você – lotado de certezas fatalísticas na cabeça - pensa de cara que o mundo conspira contra você, que o vento só lhe traz poeira e besouros, e a água que bebe nunca é insípida e inodora. Passa a imaginar todos os seus nobres irmãos despertando às 7 badaladas e oito sonecas depois, indo para os seus dignos trabalhos, dirigindo suas cadeiras de rodas 1.0, 1.4, 1.6, 2.0 (boa, Nagoa), instalados nas suas prisões refrigeradas de cores neutras, ganhando seus míseros trocados, ou absurdas somas, construindo e incrementando seus lifestyles de novela, porfiando romances "ideais" e - ou "rodriguianos", e você ali, inerte, o protótipo de uma ameba, sem previsões ou provisões.
E logo você, um ateu convicto, acaba pensando Nele: “Ai god, se você existe mesmo, por que esqueceu desse seu súdito filho, ser desgraçado, degradado, desgarrado, e que ainda insiste em ser bem feitor.”
Euzinha nessa circunstância - que belo dia de mais um dia de férias espontâneas e ócio abençoado, mochila leve, nenhum cartão pra bater, ninguém pra fazer sala. Aproveito o sol. Queimar a pele do meu torneado corpinho, e já que aqui não há mar (eu prefiro o sal), me banhar em alguma cachoeira próxima. Eu sei, minha alta auto estima é quase única e sempre me levou a ter a certeza que amanhã nada me faltará. O hoje me basta, e hoje eu to abastada (graças a eu mesma).
Bom, e o barquinho ta lá, lindo e faceiro, meigo, humilde e modesto na sua insignificância frente a imensidão das águas.
E você!? Você tá fora honey! Sua canoa furou, os lemes afundaram e você, na sua estupidez galopante, continua remando contra a maré e engolindo água salobra.
Não adianta chorar ou blasfemar. Você nesse barco vai afundar. E pior, te falta visão suficiente pra sacar que ta na hora de nadar.
Se o que corre nessas veias é sangue, e não água com açúcar, e mesmo não sendo um puro sangue - se ele ainda é quente, o pulso ainda pulsa, e se esses olhos conseguem ver algo além desse nariz empinado, esse umbigo mal curado e essa cara de quem goza mal pra caralho...fecha logo essa boca maldita e pára de se alimentar de moscas, cessa as reclamações e as mentiras inventadas que não sabe sustentar, abandona de vez as desculpas inconsumíveis, e não peça piedade a quem você nem acredita existir.
Tá sem rumo, sem destino, sem motivo, sem cor, sem tom, sem tesão, sem tostão, seu paladar já não tem função, e não consegue sentir nada a não ser o gosto azedo dessa sua amargura intrínseca:
“Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar...”.
Ah! Nada melhor que as mensagens subliminares das películas infantis pra animar.
Melhor que qualquer livrim fastidioso chopriano, oshiano, coelhano, e doutros bilongos da estirpe dos xatólogos.
E a você Loro, obrigada pelas setenta vezes que compartilhou comigo sua doce e vibrante companhia, no afã de me apresentar e ficarmos a admirar a Dory.
Ai loviu pra xuxu!
domingo, 14 de novembro de 2010
Bom dia resignados!
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante.
...
Escola, esmola, favela, cadeia, sem terra, enterra, sem renda, se renda.
Não, não.
...
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Até quando você vai levar porrada?
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante.
...
Escola, esmola, favela, cadeia, sem terra, enterra, sem renda, se renda.
Não, não.
...
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Até quando você vai levar porrada?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
tô fora

queria eu dizer tudo que me vem à língua, o que me atiça os instintos libertinos e faz esmorecer até os que se dizem trash, punks, anarquistas. queria eu explanar sobre as vicissitudes da vida, os mistérios do amor, as paixões fast food, o dilema dos bons, a bondade dos maus, a virtude dos aceitos e politicamente corretos, mas não posso, não me vem, não sou nada, incapaz de tornar inteligível qualquer coisa que faça referência a emoção, sentimento e desejo de alguém, eu não sei porra nenhuma dessa vida, só sei do que não gosto, nem do que gosto eu sei de verdade, a vida nos trai toda hora, e nos faz percorrer por trilhos estrategicamente dispostos, que vão nos levar a um caminho previsível, óbvio, e muitas vezes sem volta. penso em gentes felizes com suas famílias felizes e cristãs, bem estruturadas, numa casa projetada, sorrisos colgate nas suas bocas com dentes perfeitos e brancos. penso em mulheres elegantes, bem sucedidas em seus ricos empregos com seus vestidos sexy e tailleurs impecáveis, sapatos lolla, cremes mary kay, personal no fim do dia e uma serviçal que lhe trata como filha. penso nas crianças cor de romã e seus brinquedos modernos, tomando sol com suas babás de vestes brancas, a esperar mamãe e papai. penso nos jovens adolescentes, aprendizes de uma vida tranquila e já traçada desde que nasceram, aulas de inglês, espanhol, mandarin, ballet e karatê, com suas mochilas high tech, seus tênis style, ipad, e internet banda larga. penso nos homens, pais e amantes perfeitos, workaholics, caçando o dia inteiro pra oferecer o melhor das abundâncias para a prole, e assim, serem eleitos pela família, amigos e vizinhos, o melhor provedor-comandante.
esse quadro não me enquadra. eu não caibo nessa tela. eu, ser anormal? qual seu foco-objetivo de vida, filha? tudo parece tão perfeito, limpo e rico! invadem-me os paradoxos! se isso for o melhor dos futuros a ser conquistado, para a acomodação derradeira da nação patriarcal instituída, deixarei a desejar. não cumprirei o desafio. essa tinta ainda não me retrata. não me apetece. a vida é breve, penso eu, e não há que ser levada tão a sério. afinal, dessa aventura alucinante ninguém sairá vivo. penso em me arriscar. arriscar a vida em ser livre. nos meus planos não habita esse comercial de margarina. nem ficar preso a ele até o dia do meu juízo,(a)final, eu escolhi ser livre.
tô fora. vou me jogar na vida. e seja o que der, doer e vier.
tô fora. vou me jogar na vida. e seja o que der, doer e vier.
bye!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
I have a dream

Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa clara manhã, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: "Eu procuro Deus! Eu Procuro Deus!" Como muitos dos que não acreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muitas risadas... "Onde está Deus", ele gritava.
"Eu devo dizer-lhe. Nós o matamos - vocês e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos..."
Friedrich Nietzche, Gaia Ciência (1882).
Eu não sei ainda o porquê, mas meu híbrido ser insiste em ficar mascando pensamentos paradoxais, e mais uma vez, sempre vem à tona o que todos adoram proclamar, a esperança. Esperança, que trago com carinho no meu velho baú de quimeras e inspirações perdidas.
Há alguns itens na essência humana que fazem o mundo pior. No meu míope ponto de vista, me parecem mais reles produtos, ou talvez, sequelas da inteligência meia-boca e nada afrodisíaca dos nobres humanos.
Ilusão, somada à esperança, é nitroglicerina pura.
Nós, frágeis seres carentes, necessitamos mesmo dela?!
Humanos dopados e viciados em ilusão até às tampas. Dá pra perdoar?! E quem suporta tanta realidade!?
Ilusão - da vida pós-morte e um paraíso a te esperar todo arrumadinho e administrado por deus; de que quando vestir o paletó de madeira será perdoado pelos seus erros e maldades cometidos (essa é a melhor); de que um dia a mega-sena sorteará a sua combinação de números; a de que aquele ignóbil amor vingará; que seu carro 1.0 alcança o jaguar; que a gostosa do lado vai te dar mole e algo mais, em troca de nada; que seu patrão reconhecerá seu grande valor; que suas idéias renderão milhões; que mansões se erguerão à sua volta e helicópteros te levarão até Maresias; ilusão de que um dia ficará imerso no ócio profundo e nada te faltará (essa eu tenho).
Bom, diversas idéias e pensamentos em vão, que já renderam inúmeras epopéias homéricas, e outras vagabundas - como esta que você agora perde seu tempo lendo.
Até consigo engolir a esperança, a seco, sozinha, 'no the rock', livre da ilusão.
Muitos acreditaram(?) que o Partido dos Trabalhadores teria como principal objetivo resgatar a ética e a moralidade "como nunca antes na história desse país". E me diz ae, o que você viu? Um monte de putozinhos praticando atos absurdos, fantásticos, com uma promiscuidade nojenta e autofágica entre os três poderes da nobre república das bananas. Escárnio impudente, público e notório, cuspido e escarrado na sua carinha de bom cidadão iludido, como nunca antes na história deste país. Hoje meu partido é um coração partido.
Os donos do mundo, e o resto, tinham a esperança – “I have a dream” - M.L.King, de ver um negro na Casa Branca. Ele chegou lá! Taí: esperança + ilusão!
Quer tomar outra dose de esperança imbuída de ilusão? Haverá paz no Oriente Médio. Quem quiser acreditar em balelas remotíssimas ou em utopia das grandes, fique à vontade! Primeiro passo, reparar o mapa do Oriente Médio e todas as fronteiras anteriores ao domínio franco-britânico, ou seja, o mapa do Império Otomano. Depois sim, fazer com que judeus e palestinos esqueçam de uma vez essa asneira de cada um ter um país próprio, e enfim comemorem o final feliz jogando uma partida de futebol na próxima Copa, com os patriotas no estádio pagando boquete na vuvuzela. Tão fácil como os sulistas esqueceram (?) o sonho da República dos Pampas.
Se a próxima ilusão for a realização do Anarquismo Histórico e Romântico, só posso dizer que é tudo o que euzinha também tenho como esperança, mesmo que não seja pra mim, mas pelo menos para meus tatatatatataranetos (se é que a grande bola azul persistirá até lá). Eu tenho dúvidas, mas, se houverem amanhãs, existe uma possibilidade. E eu estarei lá, como dizia Raul (o último Anarquista): “porque eu continuarei neste homem, nos meus filhos…”
Porém, contudo, para que tal ocorra, precisaremos “enforcar o último governante nas tripas do último bispo”.
Posso listar alguns empecilhos que esbarram na esperança. Produção de armas. De drogas. Paraísos fiscais. Paraísos artificiais. Nacionalismos exacerbados. Tráfico de crianças. Abuso de crianças. Tráfico ilegal de órgãos. Tráfico de influências. Cobiças. Invejas. Documentos confidenciais. Educação no laica. Espionagem. Compra de votos. Ciúmes. Despeitos. Vaidades. Raças. Etnias. Preconceitos. Tradicionalismos doentios. Clonagem. Proibição do uso da camisinha. Curas. Laboratórios. Protecionismos. Copa do Mundo. Olimpíadas. Fashionweek. Nepotismos. Tráfico de mulheres. Exploração de mulheres. Trabalho escravo. Escravidão. Favelas. Excisão do clitóris. Coisas do passado que foram esquecidas. Coisas que nunca esqueceremos. A Velha Europa. As Américas. Astecas. Incas. Maias. Assurinis. Tapirajés. Kaiapós. Bororós. Guaranis. Xingu. Amazônia. Petróleo sobre as águas. Guerras civis. Guerras frias. Guerras religiosas. Guerras por petróleo. As guerras por tudo e por nada. Traições. Enganos. Explorações. Ofensas de bradar aos céus. Fomes disto e daquilo. Miséria. Carências de coisas fundamentais. Consumismo desenfreado. Crianças que querem demais. Crianças que não têm nada. Modas soberanas. Intolerâncias. Absolutismos. Nazismo. Judeus. Judiados. Medos. Ameaças. Chantagens. Faz de conta. Fronteiras. Mentiras descaradas. Hipocrisia. Descrença. Gente que perdeu a vergonha. Invasões. MST. Partidos partidos. De quem são os genes que moram em mim. E deus que não resolve aparecer, ou então enviar o filho ou o gerente. E o que isso importa, não é mesmo?
Será que alguém, dotado de alguma sapiência, racionalidade e lucidez, consegue armazenar ilusões de que o mundo seria, ou será, maravilhoso depois da queda do muro, da paz no Oriente, do negro, do analfabeto e sua sucessora - mulher no poder?
Em um tempo não tão remoto acreditava-se que o Comunismo deixaria o mundo mais justo e igualitário. Enfim! Na seqüência surgiram ditadores comunistas iguais ou muito piores do que os outros.
Lenon, Luther King, sinto informar, mas, o sonho acabou! Só ficaram as rosquinhas de cocô!
“Nossa! Que horror! Você é antipática e nada otimista!”
Ah, por favor, pense, se puder! Você está na vida, mas não está preparado pra ela.
Tente ver pelo lado positivo. A esperança quando acaba é com mansidão, suavidade, nostalgia. Ilusão não, quando acaba provoca trauma na carne sensível. Mas não precisa arrancar os cabelos ou pular no Berabinha. Separe osso de caroço, liberte-se, deixe de vez de ser refém de suas ilusões e crenças bestiais. Esperança pode e deve ser praticada sozinha, sem ser suplantada pela ilusão. Porque essa é definitiva, e tem efeito psicotrópico.
Se os boçais viventes no planeta plástico pudessem dar alguma relevância à lucidez, clareza, perspicácia e racionalidade, poderiam sair da Caverna de Platão. Poderiam! Mas não podem! E sabe por quê? Porque a ilusão não deixa!
Eu não sei ainda o porquê, mas meu híbrido ser insiste em ficar mascando pensamentos paradoxais, e mais uma vez, sempre vem à tona o que todos adoram proclamar, a esperança. Esperança, que trago com carinho no meu velho baú de quimeras e inspirações perdidas.
Há alguns itens na essência humana que fazem o mundo pior. No meu míope ponto de vista, me parecem mais reles produtos, ou talvez, sequelas da inteligência meia-boca e nada afrodisíaca dos nobres humanos.
Ilusão, somada à esperança, é nitroglicerina pura.
Nós, frágeis seres carentes, necessitamos mesmo dela?!
Humanos dopados e viciados em ilusão até às tampas. Dá pra perdoar?! E quem suporta tanta realidade!?
Ilusão - da vida pós-morte e um paraíso a te esperar todo arrumadinho e administrado por deus; de que quando vestir o paletó de madeira será perdoado pelos seus erros e maldades cometidos (essa é a melhor); de que um dia a mega-sena sorteará a sua combinação de números; a de que aquele ignóbil amor vingará; que seu carro 1.0 alcança o jaguar; que a gostosa do lado vai te dar mole e algo mais, em troca de nada; que seu patrão reconhecerá seu grande valor; que suas idéias renderão milhões; que mansões se erguerão à sua volta e helicópteros te levarão até Maresias; ilusão de que um dia ficará imerso no ócio profundo e nada te faltará (essa eu tenho).
Bom, diversas idéias e pensamentos em vão, que já renderam inúmeras epopéias homéricas, e outras vagabundas - como esta que você agora perde seu tempo lendo.
Até consigo engolir a esperança, a seco, sozinha, 'no the rock', livre da ilusão.
Muitos acreditaram(?) que o Partido dos Trabalhadores teria como principal objetivo resgatar a ética e a moralidade "como nunca antes na história desse país". E me diz ae, o que você viu? Um monte de putozinhos praticando atos absurdos, fantásticos, com uma promiscuidade nojenta e autofágica entre os três poderes da nobre república das bananas. Escárnio impudente, público e notório, cuspido e escarrado na sua carinha de bom cidadão iludido, como nunca antes na história deste país. Hoje meu partido é um coração partido.
Os donos do mundo, e o resto, tinham a esperança – “I have a dream” - M.L.King, de ver um negro na Casa Branca. Ele chegou lá! Taí: esperança + ilusão!
Quer tomar outra dose de esperança imbuída de ilusão? Haverá paz no Oriente Médio. Quem quiser acreditar em balelas remotíssimas ou em utopia das grandes, fique à vontade! Primeiro passo, reparar o mapa do Oriente Médio e todas as fronteiras anteriores ao domínio franco-britânico, ou seja, o mapa do Império Otomano. Depois sim, fazer com que judeus e palestinos esqueçam de uma vez essa asneira de cada um ter um país próprio, e enfim comemorem o final feliz jogando uma partida de futebol na próxima Copa, com os patriotas no estádio pagando boquete na vuvuzela. Tão fácil como os sulistas esqueceram (?) o sonho da República dos Pampas.
Se a próxima ilusão for a realização do Anarquismo Histórico e Romântico, só posso dizer que é tudo o que euzinha também tenho como esperança, mesmo que não seja pra mim, mas pelo menos para meus tatatatatataranetos (se é que a grande bola azul persistirá até lá). Eu tenho dúvidas, mas, se houverem amanhãs, existe uma possibilidade. E eu estarei lá, como dizia Raul (o último Anarquista): “porque eu continuarei neste homem, nos meus filhos…”
Porém, contudo, para que tal ocorra, precisaremos “enforcar o último governante nas tripas do último bispo”.
Posso listar alguns empecilhos que esbarram na esperança. Produção de armas. De drogas. Paraísos fiscais. Paraísos artificiais. Nacionalismos exacerbados. Tráfico de crianças. Abuso de crianças. Tráfico ilegal de órgãos. Tráfico de influências. Cobiças. Invejas. Documentos confidenciais. Educação no laica. Espionagem. Compra de votos. Ciúmes. Despeitos. Vaidades. Raças. Etnias. Preconceitos. Tradicionalismos doentios. Clonagem. Proibição do uso da camisinha. Curas. Laboratórios. Protecionismos. Copa do Mundo. Olimpíadas. Fashionweek. Nepotismos. Tráfico de mulheres. Exploração de mulheres. Trabalho escravo. Escravidão. Favelas. Excisão do clitóris. Coisas do passado que foram esquecidas. Coisas que nunca esqueceremos. A Velha Europa. As Américas. Astecas. Incas. Maias. Assurinis. Tapirajés. Kaiapós. Bororós. Guaranis. Xingu. Amazônia. Petróleo sobre as águas. Guerras civis. Guerras frias. Guerras religiosas. Guerras por petróleo. As guerras por tudo e por nada. Traições. Enganos. Explorações. Ofensas de bradar aos céus. Fomes disto e daquilo. Miséria. Carências de coisas fundamentais. Consumismo desenfreado. Crianças que querem demais. Crianças que não têm nada. Modas soberanas. Intolerâncias. Absolutismos. Nazismo. Judeus. Judiados. Medos. Ameaças. Chantagens. Faz de conta. Fronteiras. Mentiras descaradas. Hipocrisia. Descrença. Gente que perdeu a vergonha. Invasões. MST. Partidos partidos. De quem são os genes que moram em mim. E deus que não resolve aparecer, ou então enviar o filho ou o gerente. E o que isso importa, não é mesmo?
Será que alguém, dotado de alguma sapiência, racionalidade e lucidez, consegue armazenar ilusões de que o mundo seria, ou será, maravilhoso depois da queda do muro, da paz no Oriente, do negro, do analfabeto e sua sucessora - mulher no poder?
Em um tempo não tão remoto acreditava-se que o Comunismo deixaria o mundo mais justo e igualitário. Enfim! Na seqüência surgiram ditadores comunistas iguais ou muito piores do que os outros.
Lenon, Luther King, sinto informar, mas, o sonho acabou! Só ficaram as rosquinhas de cocô!
“Nossa! Que horror! Você é antipática e nada otimista!”
Ah, por favor, pense, se puder! Você está na vida, mas não está preparado pra ela.
Tente ver pelo lado positivo. A esperança quando acaba é com mansidão, suavidade, nostalgia. Ilusão não, quando acaba provoca trauma na carne sensível. Mas não precisa arrancar os cabelos ou pular no Berabinha. Separe osso de caroço, liberte-se, deixe de vez de ser refém de suas ilusões e crenças bestiais. Esperança pode e deve ser praticada sozinha, sem ser suplantada pela ilusão. Porque essa é definitiva, e tem efeito psicotrópico.
Se os boçais viventes no planeta plástico pudessem dar alguma relevância à lucidez, clareza, perspicácia e racionalidade, poderiam sair da Caverna de Platão. Poderiam! Mas não podem! E sabe por quê? Porque a ilusão não deixa!
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